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União de Sindicatos fala em «milhares de trabalhadores» sem salário no distrito da Guarda

Escrito por Jornal O Interior

Crise provocada pela Covid-19 poderá duplicar taxa de desemprego na região porque as medidas de estímulo económico chegam «a conta-gotas e não abrangem muitas das micro e PME’s»

Entre 4.000 a 6.000 trabalhadores do distrito da Guarda estão em situação de «perda de salário» após os seus empregadores terem recorrido ao “lay-off” simplificado, alerta a União dos Sindicatos da Guarda (USG).
Na segunda-feira, em conferência de imprensa, José Pedro Branquinho denunciou que «muitos deles» não estarão a auferir «qualquer retribuição» porque trabalham em micro, pequenas e médias empresas onde o “lay-off” «ainda não chegou e não sabemos se chegará». Segundo o coordenador da estrutura sindical afeta à CGTP, mais de mil empresas, maioritariamente micro e PME’s, pediram este regime de apoio no distrito desde o início da pandemia da Covid-19. Em “lay-off” continuam cerca de 120 operários da Dura Automotive e 180 na têxtil Lusolã, em Seia. «Na Coficab os trabalhadores fazem apenas dois a três dias por semana», acrescentou o dirigente, segundo o qual a taxa de desemprego no distrito poderá «duplicar de 6 para 12 ou 13 por cento» nos próximos tempos porque as medidas de estímulo económico chegam «a conta-gotas e não abrangem muitas das micro e PME’s».
Para José Pedro Branquinho, os trabalhadores foram «os mais afetados» pelo recurso ao “lay-off”, uma medida que «serve apenas para responder às exigências dos patrões», além de «penalizar» a Segurança Social e ter efeitos económicos recessivos. O coordenador da USG aproveitou a oportunidade para elogiar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), que disse ter evitado efeitos «ainda mais catastróficos» da pandemia da Covid-19. O sindicalista lembrou também que os enfermeiros estiveram «sempre na frente mesmo sem as condições necessárias», pelo que exigiu a vinculação das «dezenas» de precários existentes na Unidade Local de Saúde (ULS) e o descongelamento das progressões nesta carreira. Defendeu igualmente o cumprimento «escrupuloso» de horários de trabalho «de 8 horas e não de 12».
José Pedro Branquinho denunciou ainda que «muitas» direções de IPSS e Misericórdias aproveitaram a Covid-19 para «um ataque sem precedentes» aos direitos dos seus trabalhadores, nomeadamente através da imposição do gozo de férias ou da obrigação de exercerem outras categorias e responsabilidades profissionais, além da alteração «unilateral» dos horários de trabalho. «Nos lares, os trabalhadores passaram a fazer horários de 10, 12,14 e mais horas seguidas, chegando mesmo assegurar 14 dias seguidos sem saírem do local de trabalho, o que para a USG é inaceitável desde logo», criticou o sindicalista, entre outros problemas.

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