Durante muitos anos a vida humana desenvolvia-se em pequenas comunidades, na tribo, apenas com contactos ocasionais com outras comunidades próximas. De boca-em-boca circulavam notícias de outras comunidades, de outros povos, de outros usos e costumes. Mais tarde, com o crescimento das cidades, mercadores, marinheiros, viajantes e peregrinos, entre outros, levavam e traziam as notícias que eram amanhadas, acrescentadas umas vezes e diminuídas outras. Entre o facto objetivo e o relatado, num outro espaço e noutro tempo, com a interpretação de quem o ouvia e o voltava a transmitir, a distância era enorme. Mas depressa o enviesamento espontâneo dos factos cedo começou a ser elaborado, qual pasquim a ser injetado com sátiras, calúnias e invenções, não conseguindo, quem deles tivesse conhecimento, saber onde começava a verdade e o falso.
No início do século XVII aparecem os primeiros jornais e com eles a tentativa de divulgar acontecimentos e deles dar notícia com a isenção possível dado o “estado da arte” da época.
O mundo assiste, até meados do século XX, a um crescimento exponencial da comunicação social escrita. Contudo, o aparecimento da rádio e da televisão começam, lentamente, a destronar os jornais, entrando em crise, no século XXI, com a Internet.
Hoje, a antiga comunidade deu lugar a uma espécie de aldeia planetária. O que ocorre a enormes distâncias geográficas fica à distância de um clique, e o mundo entra-nos porta adentro.
É verdade que o jornal é uma janela aberta para o mundo, para o nosso país, a nossa região, o nosso pequeno mundo comunitário. Mas também é uma janela aberta para a manipulação, para o enviesamento, para as notícias falsas, para as verdades alternativas – seja lá o que isso for – tantas vezes ao serviço de regimes autoritários ou ditatoriais, acelerando a erosão da democracia e da liberdade, fazendo ruir o Estado de Direito.
Os leitores, aqueles poucos que ainda leem jornais, perderam aquela confiança de “se vem no jornal é porque é verdade”, o cepticismo instala-se e as dúvidas crescem. Acrescem os comentadores que sobre um mesmo facto têm interpretações diferentes que nos servem em ‘horário nobre’ e a que o público adere, suspendendo o seu sentido crítico sobre o facto para aderir a uma interpretação.
O jornal O INTERIOR, ao celebrar o seu 25º aniversário, demonstra, por um lado, possuir a suficiente resiliência e capacidade de se afirmar, apesar da competitividade com outros meios de comunicação, e, por outro lado, mantém um especial cuidado com a objetividade, isenção e imparcialidade que o credibiliza e o torna uma referência local.
Felicito, por tudo isso, O INTERIOR, expressando os desejos de uma longa vida de serviço público.
* Presidente da Câmara Municipal do Sabugal