Morreu Fausto Bordalo Dias, o nosso Fausto

Fausto Bordalo Dias, um dos maiores nomes da música popular portuguesa, morreu dia 1 de julho, segunda-feira, em Lisboa, aos 75 anos, vítima de doença prolongada. Com uma carreira de mais de cinco décadas, gravou 12 álbuns, 10 de originais, entre os quais Por Este Rio Acima, ainda hoje considerado um dos discos essenciais da música portuguesa.

O autor de “Por Este Rio Acima” tinha o condão dos génios. Como escreveu João Bonifácio, «fazia música de autor a partir de música sem autor (o chamado folclore)», era o mago da composição que pegava no fado, no folclore, na marrabenta, fazia música popular portuguesa com cheiro a África. O mago da composição morreu, mas ficou a imensidão da obra.

Fausto Bordalo Dias dizia sempre que tinha nascido no meio do Oceano Atlântico, a bordo do navio “Pátria”, em viagem para Angola, país para onde foi ainda bebé. Fausto nasceu a 26 de novembro de 1948 em Vila Franca das Naves e ali foi registado a 5 de dezembro. Vila Franca das Naves era a terra do seu pai, que era professor primário na localidade do concelho de Trancoso, tal como a sua mãe, que era natural de Escalhão. Foi o próprio Fausto quem 73 anos depois o recordou, num concerto emotivo, no palco do TMG, a propósito dos 822 anos da Guarda (a 27 de novembro de 2021).

O concerto partia da “Madrugada dos Trapeiros”, mas o cantautor veio cantar os parabéns a uma cidade que também foi sua surpreendendo o público, que esgotou o grande auditório do TMG, revelando as suas traquinices e peripécias infantis com o seu irmão quando viviam na cidade mais alta e estudavam no Liceu da Guarda. Como então escrevi (https://www.facebook.com/share/rMtHNKAJjzxVHeJg/) «Fausto, veio cantar os parabéns à Guarda. Foi um grande concerto de música popular portuguesa e de canção de intervenção. Mas foi também uma noite sentimental em que Fausto, foi o Fausto Bordalo Dias de Vila Franca das Naves, o filho da professora Alice e do professor Dias, o sobrinho da Dona Mariazinha, que ele recordou em palco de forma emotiva. Com lágrimas nos olhos, Fausto recordou a sua terra natal, o seu irmão que nasceu na Guarda e os tempos em que estudou no antigo liceu da Guarda. Foi uma grande noite para ele e para os vilafranquenses que nos emocionámos e aplaudimos enquanto recordávamos as muitas histórias que na nossa infância ouvimos sobre a mãe do nosso grande músico, vizinha da minha família, que nos anos 50 ensinou a ler e escrever muitas crianças da nossa vila.

Obrigado Fausto!».

Sobre o autor

Luís Baptista-Martins

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