25 anos

O INTERIOR faz 25 anos. Já escrevi vários testemunhos nos aniversários de O INTERIOR. Porém, este ano não podia recusar o convite do Luís Baptista-Martins para escrever umas breves palavras sobre esta bela história da imprensa local. Por vários motivos.
Desde logo, não é todos os dias que um jornal local comemora 25 anos. 25 anos é muito tempo, sobretudo, no mundo acelerado e digital em que vivemos. Ter chegado aqui já é uma obra digna de registo e orgulho.
Os últimos anos têm sido devastadores para a comunicação social e os media locais têm sido as maiores vítimas. Todos os anos morrem milhares de jornais, rádios e televisões locais por esse mundo fora. O cemitério dos media locais não para de crescer. Isto é uma catástrofe para a democracia e a liberdade.
Quem vai continuar a falar da vida concreta das pessoas? A título de exemplo, olhemos apenas para primeira página da última edição de O INTERIOR. Que meio de comunicação social nacional nos informaria que na Guarda “Hospital privado aprovado por unanimidade” ou que em Pinhel “Câmara constrói maior centro de estágios do desporto escolar do Centro” ou que o “La Vie Guarda vendido a fundo de capital de risco”? Desgraçadamente, os media nacionais interessam-se pouco ou nada por este tipo de minudências e, a nível local, buscam sobretudo os “faits-divers”. Mais do que um relato sobre o que é familiar aos cidadãos, as notícias tornam-se assim uma espécie de entretenimento.
Para os gregos da Antiguidade Clássica, o idiota (idiotés) era aquele que não participava nos assuntos públicos e estava focado apenas nos seus interesses privados. Péricles verberou os indiferentes, os que não se envolviam naquilo que a todos dizia respeito. Claro que cada um é livre de ser indiferente, de não querer ser incomodado pela política. O problema é que essa talvez seja a pior maneira de conseguir o almejado sossego. Sem querer, os passivos acabam por se tornar aliados inconscientes daqueles que têm a sacrossanta intenção de não deixar ninguém em paz. Numa palavra, os passivos são os idiotas úteis dos líderes incompetentes, corruptos, cruéis, autocráticos.
Sem os media locais, seríamos mais idiotas e menos livres. A nossa dívida aos homens e mulheres que, contra ventos e marés, mantêm os jornais e rádios locais à tona é incomensurável.
Brindo ao Luís Baptista-Martins e a todos os colaboradores de O INTERIOR.
Parabéns e obrigado. Venham mais 25.

* Colaborador de O INTERIOR e professor do Instituto Politécnico da Guarda

Sobre o autor

José Carlos Alexandre

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