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As vontades da mudança

Crónica Política

Esta crónica entronca sempre na matriz política, no entanto considero importante enfatizar eventos relacionados com a militância de muitos trabalhadores, estes com funções públicas, desde a área da saúde, ao socorro, à segurança rodoviária e investigação. Numa palavra, há bons funcionários públicos nas diversas áreas. Com isto enfatizo a realização do IIº Congresso de Emergência Médica, organizado pela VMER/ULS da Guarda. O mais importante foi a conjugação de esforços de várias entidades, corporizadas pelos seus trabalhadores e voluntários, que levaram a bom porto a realização do simulacro na A25, pena que não tenha havido uma cobertura plena dos meios de comunicação social regionais e nacionais.

Há que afinar um conjunto de situações, mas o momento crucial é enaltecer todos quantos participaram nos dois eventos, congresso e simulacro. Ou seja, na Guarda também se fazem eventos de dimensão nacional com repercussões à escala europeia, uma vez que a única linha internacional de caminho-de-ferro que liga à Europa passa pela Guarda e duas autoestradas, uma delas de ligação à Europa.

Outro facto, a jornada de luta da CGTP-IN, esta com uma maturidade significativa pelo momento do atual quadro político em que cada um de nós, enquanto trabalhadores, não desejássemos a passagem para outra margem, quer para ultrapassar um obstáculo que nos parecia inultrapassável, quer para unir o que nos parecia inalcançável, este construído na unidade com vista a novas políticas e novo governo.

Se em relação ao desfile no Porto tudo parece pacífico, não se levantando qualquer objeção quando ao percurso e ao facto de se atravessar uma ponte, de Almada para Lisboa a coisa muda de figura, não só pelo impacto que terão as imagens de milhares de pessoas a encherem a ponte, mas pela matriz política e social por se tratar da Ponte 25 de Abril, a Constituição e as conquistas de Abril dá-lhes revolta nos seus intentos liberais capitalistas.

Questões que nunca se levantaram aquando da realização de outras iniciativas de massas de carácter desportivo naquele local são agora utilizadas como obstáculos para a realização de uma iniciativa que apenas difere das primeiras pela velocidade a que se irá transpor a ponte e pelo facto de se tratar de um veemente protesto contra a política do Governo e das “troikas”.

Seria importante que divulgassem os pareceres elaborados noutros eventos, pois há imagens que valem mais que mil palavras e colocam em causa a dita isenção na análise de questões técnicas. Não serão estas questões meras justificações para uma possível decisão política de proibir a realização da manifestação que atravessa a ponte 25 de Abril?

Seguramente que esta marcha encerra em si o simbolismo de uma travessia que irá desaguar no objetivo de pôr fim a este Governo e a esta política. No próximo sábado, a ponte 25 de Abril tem que encher-se, com o contributo das gentes da Guarda, também nós daqui iniciamos a marcha da margem sul e atravessaremos a ponte no sentido da esperança e da mudança.

Por: Honorato Robalo

* Membro da Direção da Organização Regional da Guarda do PCP

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