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Pandemia fez aumentar o número de famílias carenciadas na região

Escrito por Sofia Craveiro

A Covid-19 fez aumentar significativamente o número de pessoas que recorrem a donativos alimentares. Covilhã foi o concelho mais afetado, segundo o Banco Alimentar

O número de pessoas a recorrer a donativos alimentares cresceu abruptamente, com a região a registar aumentos de pedidos «na casa dos 60 por cento». A estimativa é de Paulo Pinheiro, presidente da direção do Banco Alimentar Cova da Beira (BACB), segundo o qual o impacto da pandemia «foi realmente muito elevado».

Antes do surgimento da Covid-19, o BACB apoiava «cerca de 2.600 pessoas nos 13 concelhos em que procede à distribuição de alimentos. Atualmente este número já ultrapassa as 4.000», afirma o responsável. Paulo Pinheiro adianta que a Covilhã é o concelho mais afetado, mas também Guarda, Fundão e Seia registaram impactos significativos. «O aumento de famílias carenciadas está centralizado sobretudo nas localidades urbanas, com indústrias», apesar do número ser «variável».

Com a pandemia «aumentaram sobretudo os casos relacionados com pessoas que trabalhavam de forma informal», sem descontos, revela o responsável, que relata que «muitos destes casos tinham um rendimento estável e foram mandados para casa sem pré-aviso». «Foi assustador a quantidade de pessoas que, de um momento para o outro, nos diziam estarem desesperadas e que passaram de uma vida normal para uma situação em que não conseguiam comprar um litro de leite», lamenta o responsável.

Atualmente o BACB distribui cerca de sete toneladas de alimentos por mês, um valor que «representa um aumento de cerca de 20 por cento em relação a igual período do ano passado», segundo Paulo Pinheiro. «Apesar da grande resposta de muitos que, na nossa região, nos fizeram chegar donativos, tem sido difícil conseguir dar uma resposta adequada a um tão grande aumento no número de casos», alerta, dizendo que a distribuição e a falta de equipamentos são os grandes desafios da organização. O dirigente nota agora uma tendência para «a estabilização [dos números de pedidos de auxílio] nestas últimas semanas» e espera que, «se não houver segunda vaga, comece a diminuir, sobretudo no quarto trimestre do ano».

Número de pessoas apoiadas pela Cáritas Guarda quase duplicou

«Antes da Covid-19 apoiavam-se mensalmente, no início de 2020, cerca de 254 pessoas. Com a pandemia assistiu-se a um aumento do número de pedidos de ajuda, nomeadamente de novas famílias. Atualmente são apoiados todos os meses 470 beneficiários».

Os números foram revelados a O INTERIOR pela Cáritas Diocesana da Guarda, que confirma o agravamento do número de famílias em situação de carência. O maior aumento registou-se, segundo a instituição, no «apoio a famílias migrantes», que ascendem a 123 pessoas no conjunto das três Cáritas Paroquiais de Seia, Gouveia e Covilhã. A maioria são estudantes oriundos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

Segundo a Cáritas há, em Seia, 58 famílias apoiadas (156 pessoas), sendo a maior parte agregados que já eram ajudados. Em Gouveia há 40 famílias (80 pessoas) a beneficiar de ajuda, mas não se registou qualquer aumento do número de pedidos. Quanto à Covilhã, a Cáritas ressalva que a instituição local esteve fechada entre 13 de março e 1 de junho, pelo que não registou alterações ao universo de 50 famílias (80 pessoas) que já auxiliava. «A Câmara Municipal apoiava com cabazes as famílias carenciadas», explica fonte da organização. Apesar de não quantificar, a Cáritas admite que «o volume de entregas de alimentos aumentou em relação ao ano passado», mas está, «até ao momento», a conseguir dar resposta. «A Cáritas Portuguesa desenvolveu um Programa Intermédio de Apoio Social, que consistiu na atribuição de Ticket Restaurant, que foram atribuídos a beneficiários depois de se proceder a uma avaliação prévia», explica a instituição, que também disponibilizou auxílio financeiro para pagamentos de «renda habitacional, eletricidade, água, gás e medicação».

«Com esta resposta, foi possível minimizar constrangimentos psicossociais em muitas famílias, que de outra forma não poderiam fazer face aos compromissos assumidos», refere a organização, numa resposta por escrito. A Cáritas destaca também os contributos dos grupos DIA (Minipreço), que ofereceu alimentos não perecíveis, AUCHAN, que «permite à Caritas da Guarda, uma recolha de bens alimentares» e das ofertas do Banco Alimentar. A organização refere ainda o Programa Operacional de Apoio às Pessoas mais Carenciadas, cofinanciado pela União Europeia, que permite distribuir bens alimentares e de primeira necessidade mensalmente a 40 famílias, perfazendo um total de 135 beneficiários.

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