Região

Vinho da Beira Interior será de «grande qualidade» apesar da produção baixar cerca de 15 por cento

Escrito por Pedro Duarte

Apesar desta redução, que afeta sobretudo a zona do Fundão, Covilhã e Belmonte, Rodolfo Queiroz, presidente da CVRBI, admite que 2020 será um ano «globalmente bom»

A produção de vinho na área da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior (CVRBI) vai sofrer uma quebra de «12 a 15 por cento» relativamente ao ano anterior, quando rondou os 25,5 milhões de litros. Apesar desta redução, Rodolfo Queiroz, presidente da CVRBI, admite que 2020 será um ano de «grande qualidade».

Segundo o responsável, as vindimas, que normalmente decorrem de setembro a outubro na região, estão «um pouco atrasadas» comparativamente aos últimos anos, tendo começado na zona Sul, nomeadamente com os brancos. «No resto da região vão avançar gradualmente. As chuvas da semana passada foram, como diziam antigamente os viticultores, “notas de conto de reis!”, isto porque as vinhas estavam com stress hídrico e esta água veio ajudar a repor teores de humidade e a equilibrar as maturações das uvas», destaca o também diretor técnico da Comissão e Coordenador da Câmara de Provadores. Pelas suas contas, a produção deste ano deverá ser de cerca de 22 milhões de litros, entre DOC Beira Interior, IG Terras da Beira e vinho de mesa. «Mas, como diz o ditado, “até ao lavar dos cestos é vindima!”», acrescenta, otimista.

Em termos regionais, Rodolfo Queiroz aponta a existência de quebras elevadas, «em termos quantitativos», nomeadamente na zona do Fundão, onde, «primeiro as geadas e depois os granizos levaram a que essa zona, a par dos concelhos da Covilhã e Belmonte, sejam as mais afetadas». No entanto, o presidente da CVRBI acredita que a qualidade do vinho produzido este ano vai ser «globalmente muito boa em toda a Beira Interior». Outra contrariedade que se coloca nesta campanha aos produtores é a redução da capacidade de armazenamento de uvas, o que, segundo Rodolfo Queirós, foi mitigada pelo recurso à destilação de crise e à armazenagem privada, dois apoios disponibilizados pelo Governo. «São medidas que ficam aquém do que era necessário, mas que atenuam os problemas do excesso de stock e da capacidade de armazenagem. Se há coisa que os nossos associados são é resilientes e, como todos nós aqui no interior, sempre foram habituados a viver com dificuldades e a ultrapassá-las e é isso que cada um está a fazer, à sua maneira», sublinha o dirigente.

Também na Beira Interior há muito vinho do ano em stock por causa da pandemia da Covid-19, sendo que os produtores têm vindo a tentar retomar as vendas, mas não tem sido fácil regressar ao mercado. «Muitos vinhos ficaram por vender e estamos a tentar outros canais e a reinventar-nos para minimizar as quebras nas vendas», refere o responsável, adiantando que a CVRBI tem tentado ajudar na promoção e no aumento da notoriedade dos vinhos da Beira Interior com ações como o Concurso de Vinhos e a primeira edição do Beira Interior Gourmet. A pandemia afetou igualmente a certificação DOC, já que a perspetiva de crescimento da CVRBI para 2020 era de cerca de 20 por cento. «As circunstâncias mudaram e tivemos um período mais difícil entre abril e junho, mas as vendas estão a recuperar. O maior problema neste momento é a incerteza que vivemos e a falta de confiança», sublinha Rodolfo Queirós. Tanto assim que a Comissão Vitivinícola foi obrigada a cancelar as participações agendadas para as feiras Prowein, na Alemanha, e Prowine, no Brasil, «Como é óbvio, isso terá impacto nas exportações dos nossos vinhos e já estamos a estudar outras formas de promoção através de meios digitais, por exemplo. Só que, como é evidente, não é a mesma coisa que falarmos diretamente com os clientes e consumidores», refere o presidente da CVRBI.

Sedeada na Guarda, a CVRBI abrange as zonas vitivinícolas de Castelo Rodrigo, Pinhel e Cova da Beira, nos distritos de Guarda e de Castelo Branco. Conta com mais de 60 associados, dos quais quatro adegas cooperativas, e cerca de 16 mil hectares de vinhas, onde predominam as castas brancas Síria, Arinto e Fonte Cal e as tintas Tinta Roriz, Rufete, Touriga Nacional, Trincadeira e Jaen.

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Pedro Duarte

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