Um olhar para 2019

Escrito por Patrícia Correia

O que esperar de 2019?
O que podemos esperar (e devemos recear) de 2019? O INTERIOR voltou a desafiar personalidades, autarcas, políticos e jornalistas a partilhar a sua opinião sobre o novo ano, bem como as suas aspirações, preocupações e anseios. Nesta edição publicamos mais um conjunto de contributos, mas há mais para ler nas próximas semanas.

A idade mede-se pelo que desejamos e tal é ainda mais evidente nos desejos para o novo ano. Quanto mais velhos ficamos mais saúde vamos pedindo e menos bens materiais queremos.
Num tempo em que velhos e novos recebem informação a granel e a “pedido”, devido aos algoritmos das redes sociais e sem qualquer parcimónia, devemos preocupar-nos com o “estrangulamento” dos media.
Entre os regionais e nacionais, os encerramentos vão-se sucedendo. Sobretudo entre os jornais. Um balanço que infelizmente não se tem alterado, nos últimos anos. As dificuldades económicas são a principal causa. O empobrecimento da democracia e a falta de liberdade de expressão são algumas das consequências.
O Presidente da República diz que há uma “situação de emergência” nos meios de comunicação social portugueses que “já constitui um problema democrático e de regime”, precisamente num momento de reconhecimento ao (bom) jornalismo que se faz em Portugal.
Devemos ser bons cidadãos, seja qual for a nossa profissão ou orientação política, e por isso devemos consciencializar que o jornalismo é uma componente essencial numa democracia.
Porque como disse Marcelo Rebelo de Sousa “em democracia, é muito importante perceber o peso da comunicação social e saber lidar com a comunicação social”.
Espero que, entretanto, já esteja em andamento o plano de ação contra a desinformação para proteger os sistemas democráticos, os debates públicos e as eleições de 2019.
O jornalismo, aliás, tem uma obrigação acrescida. A nossa profissão baseia-se em dar notícias, informações que o leitor valoriza por lhe serem úteis e verdadeiras. Não apenas a busca da verdade, mas o rigor e o profissionalismo desse trabalho de busca da verdade.
Porque não há “fake news”, há é mentiras disseminadas um pouco por todo o lado. E, se o Plano de Ação aprovado pelo Parlamento Europeu não tiver impacto, o problema da desinformação poderá agravar-se velozmente.
Por isso para 2019 desejo que as “fake news” deixem de ser notícia.
Este será um ano de resistência, vamos ter todos de resistir para poder vencer, porque só resistindo é que se conseguirá vencer.
O que vos desejo é saúde e muita resiliência para todos! Excelente 2019.

* Jornalista, investigadora do LabCom (UBI) e docente no IPG

Sobre o autor

Patrícia Correia

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