“Não há melhor andar do que em casa estar”

A situação emergente que vivemos em Portugal, como consequência do alastrar do Covid-19, deverá ter a sua espiral pandémica nas próximas semanas. Preparemo-nos, pois, para umas semanas difíceis!

A situação emergente que vivemos em Portugal, como consequência do alastrar do Covid-19, deverá ter a sua espiral pandémica nas próximas semanas. Preparemo-nos, pois, para umas semanas difíceis!

Em declarações a O INTERIOR na passada semana (13 de março), Fernando Carvalho Rodrigues dizia-nos que era preciso usar métodos de guerra biológica para travar o coronavírus. Num momento em que tudo ocorre a uma velocidade estonteante e que de um momento para o outro o cenário pode ser alterado, uma semana depois as declarações do cientista originário de Casal de Cinza continuam atualizadas (como poderá ler nesta edição) porque as autoridades estão a ir a reboque dos acontecimentos e não conseguem liderar o combate à pandemia. Como Carvalho Rodrigues antecipava, estamos em guerra (agora todos os comentadores o dizem, mas há uma semana parecia estranho associar o substantivo à pandemia) e o combate ao inimigo tem de ser feito por todos. Enquanto entrevistava Carvalho Rodrigues, confesso, houve um momento em que me pareceu excessivo, especialmente ao afirmar que ficar em casa era a única opção para travar o «inimigo». Nos dias seguintes confirmou-se que só com isolamento podemos responder à pandemia – “não há melhor andar que em casa estar”.

Já então era evidente que as fronteiras tinham de ser repostas, que era necessário monitorizar quem passava a fronteira, controlar as entradas, que era necessário desinfetar comboios e camiões, parar autocarros, impedir a entrada de turistas, parar… A primeira fronteira tem de ser a nossa casa, o que não significa que não possamos sair, significa que o devemos fazer com cuidado, distanciamento social e cautela redobrada – em Vilar Formoso tem de ser também assim.

Escrevi que estávamos numa guerra de sobrevivência, e pela sobrevivência de todos tínhamos de cuidar de nós como comunidade (infelizmente o Presidente da República desertou). Num momento em que na prática já estamos em estado de emergência, o Serviço Nacional de Saúde tantas vezes ostracizado é o nosso porto de abrigo. Por isso a comunidade já fez um agradecimento público aos técnicos de saúde, que reitero aqui: Obrigado aos médicos, aos enfermeiros, aos técnicos de diagnóstico, a todos… que permitem que os hospitais continuem a funcionar. Mas também um especial obrigado a todos os anónimos que por estes dias têm sido esquecidos e permitem que o país ainda funcione, aos agentes de segurança que continuam a permitir-nos viver sem sobressalto, aos caixas e repositores dos supermercados que sem parar e com trabalho redobrado permitem que outros fiquem em casa sabendo que quando precisarem podem repor os produtos de primeira necessidade, aos farmacêuticos que mais recatados e protegidos continuam a aviar receitas, aos motoristas que continuam a arriscar a vida na estrada para que nada falte nas prateleiras, aos padeiros que continuam sem parar a cozer pão, aos trabalhadores em geral que, mesmo sabendo que o mais fácil era deixar tudo para trás e protegerem-se, continuam no seu posto, no seu lugar de trabalho acreditando que tudo se irá resolver. E também para os jornalistas que denodadamente continuam a informar de tudo o que se passa à nossa volta – neste momento não sabemos se o Jornal OINTERIOR poderá estar nas bancas nas próximas semanas (a próxima, estava previsto, ser dedicada ao 20º aniversário deste jornal, fica para maio…), mas sabemos que, enquanto pudermos, iremos estar online na edição digital de ointerior.pt com todas as incidências deste triste momento em que vivemos. Cuide-se, proteja-se e se puder fique em casa.

Sobre o autor

Luís Baptista-Martins

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