Não esquecer é preciso

Há um século atrás, no dealbar da centúria de novecentos, uma guerra, a primeira a ser considerada global, assolou o planeta com os efeitos nefastos que se conhecem.
No passado dia um de setembro passaram oitenta anos sobre o início da maior tragédia a que a Humanidade assistiu. Nesse fatídico dia começava o maior conflito da História: a Segunda Guerra Mundial. Durante seis anos o Mundo viveu o medo como nunca o tinha conhecido antes.
Oito décadas decorridas é fundamental não esquecer. E hoje, mais do que nunca, urge relembrar às novas gerações o que foram esses tempos de barbárie. Hoje, quando parecem querer renascer teorias como a da eugenia ou a do espaço vital, vistas como pilares para justificar a superioridade de um povo ou de uma raça, contrariando o que a ciência provou sem lugar a quaisquer dúvidas por parte de gente intelectualmente honesta. Hoje, quando convivemos com Trumps e Bolsonaros, Johnsons e Putins e outros que tais, é urgente não esquecer. Hoje, quando renascem grupos e grupelhos extremistas, é imperioso não calar.
Cabe-nos uma tarefa ingente: levar ao conhecimento de todos o que foram aqueles conflitos, quais foram os sacrifícios dos povos que viveram os conflitos, as atrocidades cometidas, os milhões de mortos por causas que não eram as suas, o extermínio puro e duro de raças consideradas inferiores. É que só conhecendo se poderá aquilatar do que foram aqueles acontecimentos tristemente célebres e evitar que se venham a repetir no futuro.
Vem isto a propósito das eleições legislativas do passado dia 6 das quais resultou, pela primeira vez depois da Revolução dos Cravos, a eleição de um representante da extrema direita. Um agora senhor deputado assumidamente xenófobo e racista, que não hesita em tomar o todo pela parte quando se refere às minorias. Um agora senhor deputado que já foi candidato a uma autarquia integrando, como independente, uma lista de um partido democrático. Homem de um rosto só, como facilmente se depreende…
E pensávamos nós, cá neste nosso cantinho, estarmos a salvo dos extremismos que a Europa vinha já conhecendo… Mas não, não estamos, como agora se comprova. É por isso que urge recordar, ainda que tal seja doloroso, o acontecido no século passado. Isto para que não tenhamos de dar razão à sabedoria popular que afirma que não há duas sem três.
Sim, cabe-nos arregaçar as mangas e ser proativos para que um outro adágio segundo o qual à primeira quem quer cai, à segunda só cai quem quer e a terceira só quem é burro, sem ofensa para o simpático quadrúpede (PAN oblige…).
E nós não o somos. Ou haverá alguns por aí sem que nos apercebamos?…

Sobre o autor

Norberto Gonçalves

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