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«O interior será sempre o primeiro a sentir a crise»

Apesar das dificuldades e da crise de valores, Bispo da Guarda preconiza esperança para uma sociedade melhor

Foi com o presépio à sua frente, que D. Manuel da Rocha Felício comunicou a sua primeira mensagem de Natal enquanto Bispo da Guarda. Segundo o prelado, apesar das dificuldades e da crise de valores que o país atravessa, há também esperança para uma sociedade melhor.

Durante a sua intervenção esboçou o retrato do país e da região. Começando pela crise económica, «onde os indicadores nos apresentam índices de crescimento quase quatro vezes menos que a vizinha Espanha», refere o Bispo da Guarda, que está igualmente preocupado «com os indicadores de produtividade muito baixos, que não permitem que os nossos ordenados se aproximem da equiparação com a média europeia». Por outro lado, o país também está a atravessar uma crise social, «com o crescimento do desemprego para níveis preocupantes e já com reflexo na nossa região», lamenta D. Manuel. «O interior será sempre o primeiro a sentir a crise, até porque o poder de compra é bastante mais baixo do que no litoral», considera o Bispo. Entretanto, as ofertas de emprego continuam a crescer nos grandes centros, causando «a tal sangria do interior», acrescenta. Por isso, apela aos responsáveis e aos empresários da região para que se reúnam com administração central para incentivar a criação de «uma discriminação positiva», enquanto pólo de qualidade e de condições de vida. Para o Bispo da Guarda, «é um escândalo haver, a médio prazo, mais 700 mil pessoas em Lisboa que deixaram o interior. É urgente inverter a marcha da litoralização do país», garante.

Quanto à polémica do possível fecho da Maternidade da Guarda, D. Manuel da Rocha Felício considera essencial «racionalizar os recursos com a máxima eficácia». Mas se for interpretada a vontade do povo, «a maternidade da Guarda não deve encerrar», alega, acrescentando logo de seguida que se trata de «um problema técnico, que, contudo, não deve ser resolvido sem se considerar as necessidades de resposta às populações», adianta. O prelado sublinhou ainda a crise de valores e de atitudes da sociedade, uma vez que «o sentido do Bem Comum não tem crescido como era desejável e constatamos, que, algumas vezes, esse mesmo valor é subordinado aos interesses dos indivíduos e dos grupos». Apesar de todas as dificuldades, «há muitas esperanças», refere, acrescentando que vê, no presépio, «Jesus, Maria e José, o modelo da família que hoje precisamos de defender e promover na nossa sociedade». Por fim, o Natal «é proposta de solidariedade e fraternidade universais, mas também exigência de respeito pela natureza, que constitui a casa comum e a fonte de subsistência para toda a Família Humana». Nesse sentido, recorda que «agredir a Natureza, nem que seja só por negligência», como aconteceu com os muitos fogos do último Verão, «é também desrespeitar o Natal».

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