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«O atletismo no distrito resume-se a dois ou três concelhos»

Cara a Cara – Germano Cardoso

P – A Associação de Atletismo da Guarda adquiriu recentemente o estatuto de utilidade pública. O que vai mudar?

R – Adquirir do estatuto de utilidade pública é, para nós, o reconhecimento de uma atividade de 35 anos, e também não deixa de ser mais uma obrigação futura de mantermos esta responsabilidade social que nós temos, que é promover o atletismo em termos da competição e da sua divulgação. Em termos estruturais não muda grande coisa. Passamos a ter algumas obrigações perante a secretaria de Estado da presidência do Concelho de Ministros, que é anualmente enviar contas da Associação, depois de aprovadas. Sempre que alteramos os nossos estatutos temos de comunicar a alteração e temos de manter, no fundo, a atividade e o cumprimento estatutário da associação. É uma obrigação acrescida, mas nada que ultrapasse aquilo que já fazíamos. É mais uma entidade a quem temos que prestar contas, mas também já prestávamos aos nossos associados.

P – Quais as vantagens que poderão advir deste estatuto?

R – Este estatuto permite às entidades que o obtêm fazer beneficiar os seus mecenas de um benefício fiscal associado a um donativo que eles atribuem a estas instituições. Para esse efeito, nós necessitamos ainda de um reconhecimento posterior da secretaria de Estado do Desporto, no sentido de que os donativos dados por determinadas entidades sejam considerados para efeitos de benefício fiscal.

P – Como avalia a situação financeira da Associação?

R – A situação financeira da Associação presentemente é natural, não tem dificuldades acrescidas. Que esta situação de crise nacional poderá afetar o futuro da Associação, tal como afetará o futuro de todas as instituições, também contamos que isso possa vir a acontecer.

P – Para a nova época, haverá novidades no calendário de competições?

R – Não. Nós vamos realizar um conjunto de competições, nomeadamente desde a estrada, corta-mato e passando pela pista, campeonatos para todos os escalões etários. A nível distrital não temos nenhuma competição nova a integrar no nosso calendário.

P – E em termos de perdas?

R – Vão-se perdendo algumas competições, porque nós colaboramos na organização de algumas provas de estrada, que os nossos clubes e outras instituições organizam, e nos últimos dois anos temos perdido algumas por dificuldades de financiamento das mesmas por parte dos organizadores. Dificuldades essas que estão associadas ao não apoio por parte dos municípios onde eles se inserem, e depois acresce-lhes alguns custos, taxas que eles têm que pagar de policiamento. Portanto, tudo isto acaba por desmotivar alguns organizadores na realização de certas competições.

P – Qual a situação dos clubes para a nova temporada?

R – Ainda não tenho contabilizadas as mudanças, as transferências ou os atletas que vão representar os nossos clubes, nem aqueles que deixam de representar. Neste momento, não temos nenhum clube que tivesse manifestado intenção em desistir, haverá alguns que poderão reduzir a atividade, mas tanto quanto eu sei alguns até vão reforçar. Nós temos dois clubes no concelho de Seia que são referências a nível nacional do atletismo, estou a falar do Centro de Atletismo de Seia e da Senhora do Desterro. O CAS foi campeão nacional da segunda divisão no setor masculino e a Senhora do Desterro disputou também a segunda divisão, tendo ficado em quinto lugar no setor feminino. Tanto quanto eu sei eles vão reforçar-se para a próxima época, no sentido de que a prestação seja ainda mais positiva.

P – Como vê o estado do atletismo no distrito da Guarda?

R – O atletismo no distrito resume-se a dois ou três concelhos, porque, infelizmente, ao contrário do que acontecia há algumas décadas atrás, em que todos os concelhos tinham uma coletividade que participava no atletismo, neste momento temos o atletismo centrado em Seia, com três clubes. Depois temos um clube no concelho de Foz Côa, outro no do Sabugal e dois no de Almeida. O ano passado tivemos oito clubes filiados, assim distribuídos.

P – A aposta feita ao nível da formação por alguns clubes poderá vir a dar frutos no futuro?

R – Os nossos clubes têm alguma formação que está a dar os seus frutos. É certo que os clubes mais representativos, como o Centro de Atletismo de Seia recorre a muitos atletas não formados no distrito, mas que representam o Centro de Atletismo de Seia e são residentes noutros locais do país. Falando dos dois clubes do concelho de Seia, que são nossos filiados, penso que eles, se os apoios que existiam na época passada se mantiverem, serão clubes para manter o nível de competitividade destes últimos anos. São clubes que apostam no atletismo, num concelho como Seia onde é a atividade desportiva talvez mais dinamizada e daí que eles acabem por ter um nível competitivo adequado e ao nível de vários clubes do país.

P: Como encara a situação do concelho da Guarda, em particular?

R: É com pena nossa que na cidade da Guarda não há neste momento atletismo. Não há atletismo porque não temos nenhum clube que enquadre os nossos atletas, como acontece noutros concelhos deste distrito. A Associação não tem vocação para constituir clubes, promove a modalidade mas não tem capacidade para, no dia-a-dia, fazer o enquadramento dos atletas que surgem. Nós limitamo-nos a promover a competição, a dar todo o apoio aos clubes que surjam e que tenham interesse em promover a modalidade e em enquadrar alguns dos atletas que vão surgindo. Porque a nível de atletas, nomeadamente no Desporto Escolar, temos uma fonte de recrutamento razoável, embora saibamos que no interior neste momento os jovens são cada vez menos e a população cada vez mais envelhecida.

«O atletismo no distrito resume-se a dois ou
        três concelhos»

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