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Dois “Gulliver” já rolam em Gouveia

Mini-autocarros eléctricos circulam pela “cidade-jardim” até dia 30

Gouveia é desde a semana passada a primeira cidade do distrito da Guarda a testar dois mini-autocarros movidos a energia eléctrica, popularmente conhecidos por “Gulliver”. Até dia 30, de forma experimental, os dois veículos amigos do ambiente vão circular num percurso urbano de cerca de cinco quilómetros, de forma inteiramente gratuita para todos os passageiros, que terão uma palavra importante a dizer quanto ao eventual sucesso desta iniciativa. Durante este período, o serviço de mini-autocarros vai ser avaliado pelos utentes, cabendo depois à autarquia averiguar da necessidade ou não deste serviço a título permanente.

Para tal, estão a ser feitos inquéritos aos passageiros para se conhecer o nível de satisfação do serviço. «Apelo aos gouveenses para que nos façam chegar a sua própria ideia, mesmo em crítica, para sabermos se o teste é de todo positivo no final ou se vamos ter que alterar a nossa decisão», sublinhou o autarca gouveense, Álvaro Amaro. O edil diz que esta experiência tem como objectivo «facilitar a vida» a quem utiliza a cidade e em particular aos mais necessitados. No momento de apresentação desta iniciativa, Amaro adiantou ainda que depois desta fase experimental os mini-autocarros eléctricos poderão futuramente regressar às ruas da “cidade-jardim”: «Queremos que dentro de um ano Gouveia possa ter algo em termos de transportes urbanos que facilite a vida aos gouveenses», assegurou. Apesar de reconhecer que Agosto é um mês em que a cidade tem um «movimento excepcional», o edil frisa que «mesmo assim quisemos que fosse este o momento», indicou. Para além da autarquia gouveense, esta iniciativa engloba ainda a Direcção-Geral de Transportes Terrestres (DGTT), como entidade promotora financiadora, e a Associação Portuguesa de Veículos Eléctricos (APVE), como executora do programa de “Mini Autocarros Eléctricos em frotas de Transporte Público Urbano”.

O objectivo é demonstrar a importância das soluções tecnológicas alternativas para a preservação do ambiente. Outro é apoiar a introdução deste tipo de veículos nos transportes públicos por causa das consequências nefastas, como o efeito de estufa, decorrentes do aumento do transporte rodoviário. Robert Stussi, vice-presidente da AFVE e responsável pelo Programa Autocarros Eléctricos, sublinhou que os «veículos movidos a electricidade são silenciosos e caracterizam-se pela ausência de emissões poluentes no local onde circulam, sendo, por isso, ideais para a circulação nos centros urbanos, pelo reduzido impacto ambiental que apresentam». Em Gouveia, o trajecto destes mini-autocarros encontra-se marcado no pavimento por uma linha azul, bastando aos eventuais passageiros levantar o braço para que pare e os recolha. Os veículos percorrem sucessivamente o percurso assinalado, com uma extensão aproximada de quatro quilómetros, sendo o tempo médio de espera de cerca de oito minutos. Os “Gulliver” só circulam das 9 às 12h30 e das 14 às 18 horas, de segunda a sexta-feira, e das 9 às 13 horas aos sábados. De fabrico italiano, estes veículos não produzem quaisquer emissões poluentes no local de circulação. O “Gulliver” foi escolhido por ser adequado aos centros urbanos e pela fiabilidade e baixo custo de exploração. O motor eléctrico é alimentado unicamente a partir das baterias e tem uma autonomia de quatro a cinco horas, dependendo da velocidade e do traçado. Transporta 22 passageiros, oito dos quais sentados, e atinge a velocidade máxima de 33km/hora. Tem 5,30 metros de comprimento e 2,07 de largura, dispondo ainda de instalação para segurar uma cadeira de rodas, embora não possua uma rampa de acesso. Este programa experimental termina no final do mês, com um “workshop” sobre ” Energias Alternativas e Mobilidade Urbana”.

Ricardo Cordeiro

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