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CEI entrega Prémio Eduardo Lourenço

Apresentada segunda edição do livro “A Guarda Formosa na Primeira Metade do Século XX”

O Centro de Estudos Ibéricos (CEI) entrega esta quinta-feira o primeiro Prémio Eduardo Lourenço, no valor de 10 mil euros, instituído para distinguir personalidades ou instituições, portuguesas ou espanholas, com relevo na cooperação ou identidade ibérica. O júri do galardão escolheu por unanimidade a primeira mulher catedrática da Universidade de Coimbra, Maria Helena da Rocha Pereira, pelo seu «perfil pedagógico, científico e cultural de reconhecido mérito nacional e internacional» e pela «importância do estudo e divulgação da cultura clássica, matriz do que é hoje Portugal e Espanha e fundamento do Iberismo».

A sessão de entrega do prémio, que decorre ao final da tarde na sala da Assembleia Municipal, é o ponto alto de três dias de iniciativas do CEI, fundado em 2000 na Guarda pelas Universidades de Coimbra e Salamanca e a autarquia local por sugestão do ensaísta Eduardo Lourenço, que é também o seu director honorário. Nascida no Porto, Maria Helena da Rocha Pereira ensinou ao longo de 40 anos na Universidade de Coimbra e publicou mais de 300 trabalhos, entre ensaios e traduções. Jubilada desde 1995, a professora, especialista em culturas grega e latina, não abandonou a vida académica, continuando a orientar mestrados, a fazer conferências, a estudar e a escrever, estando ligada a trabalhos como a tradução completa da “Ilíada”, de Homero. Seabra Santos, reitor da Universidade de Coimbra que preside ao júri, considerou na altura que a ensaísta é «uma digníssima vencedora», enquanto Veiga Simão, elemento do júri convidado, sublinhou que «atribuir a primeira edição do Prémio Eduardo Lourenço a alguém que cultiva a cultura clássica é reconhecer as raízes do iberismo, é homenagear a fonte, a matriz, aquilo que é hoje Portugal e Espanha». Para além destes dois elementos, o júri integrou também os restantes membros da direcção e de outros órgãos executivos e científicos do CEI, bem como três personalidades convidadas: António Hespanha (Portugal) e Cláudio Guillen e Fernando Morán (Espanha).

Um dia antes desta cerimónia, o CEI inaugura uma exposição dedicada à “Fronteira, Emigração, Memória” no Paço da Cultura. A mostra, patente até ao final do mês, é formada por três núcleos, podendo encontrar-se em “Fronteira” fotografias de Pedro Letria, Luís Ferreira e Pedro Santa Bárbara. Em “Emigração – Origem, peregrinação e regresso” estarão patentes fotografias de Monteiro Gil, Luís Azevedo e Fernando Curado Matos, enquanto a secção dedicada à “Memória” acolherá uma mostra dedicada a locais, gentes e actividades que caracterizaram a Guarda na primeira metade do século XX. Ao final da tarde será apresentada a segunda edição do livro “A Guarda Formosa na Primeira Metade do Século XX”. Trata-se de uma obra de referência lançada pela autarquia guardense nas comemorações dos 800 anos da cidade, que apresenta uma colectânea de estudos sobre a cidade, os seus protagonistas e acontecimentos no início do século passado, coordenada por Jaime Couto Ferreira. Esta reedição, revista e actualizada, conta com a chancela do CEI. Já na quinta e sexta-feira decorre um ciclo de conferências sobre “Territórios e Culturas Ibéricas”, no auditório municipal, com intervenções de Adriano Moreira, Fernando Morán e Eduardo Lourenço, entre muitos outros, a propósito dos temas “Desenvolvimento e Cooperação Internacional”, “Paisagens e Territórios”, “Sociedades de Fronteira” e “Margens e Culturas”.

Luis Martins

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