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Câmara requalifica nascente do rio Diz

E quer vender ou ceder as escolas do primeiro ciclo fechadas para poupar nas despesas e gerar receitas

O município quer dignificar a nascente do rio Diz, actualmente “assinalada” por uma manilha de betão. Um cenário pouco nobre que a autarquia quer alterar de forma a valorizar o único curso de água que nasce na cidade e que a poluição industrial e doméstica tem ocultado durante décadas.

«Este projecto do pelouro do Ambiente destina-se a requalificar a zona, dando-lhe uma dignidade de nascente, que não é propriamente ali mas será identificada como tal», adianta Lurdes Saavedra. A vereadora quer tornar o local «mais bonito», uma vez que vai ser o ponto de partida de dois percursos pedestres, para além de passar por ali perto a calçada romana que vem do Tintinolho. O primeiro está em funcionamento e tem como destino a Quinta da Maúnça, o segundo será dedicado à saúde, mas depende da despoluição do pequeno rio que corre no sopé da Guarda. Uma tarefa que já começou, no âmbito do projecto “A Água que nos Une”, candidatado juntamente com parceiros espanhóis ao programa comunitário Interreg. A intervenção está orçada em cerca de 50 mil euros. «O rio está limpo até ao Parque Urbano da zona da Estação, tendo sido seladas 10 ligações clandestinas, que eram grandes focos de poluição, e retiradas algumas toneladas de detritos acumuladas ao longo destes anos», revelou a vereadora após a última reunião do executivo.

Nesta primeira fase os poluidores não foram multados, mas a tolerância acabou. «A partir de agora é mais fácil detectar quem está a despejar ilegalmente os seus efluentes, porque o rio está limpo e há uma vigilância sistemática para detectar os infractores, que serão autuados», avisou Lurdes Saavedra. Entretanto, a segunda etapa desta requalificação ambiental, entre os Galegos e o rio Noéme, fica a aguardar pela entrada em funcionamento da ETAR de S. Miguel. «O rio Diz chegou a ser repelente, mas é possível reabilitá-lo se lhe dermos os meios de recuperar por si próprio graças a uma intervenção biofísica», acredita a autarca. Tudo para que os guardenses regressem às suas margens daqui a alguns meses. Entretanto, a autarquia anunciou que quer desfazer-se das escolas do primeiro ciclo fechadas para poupar nas despesas e gerar alguma receita. Par tal, está em curso um levantamento do parque escolar disponível de forma a vender ou ceder, posteriormente, os edifícios desactivados.

«Queremos “emagrecer” esse património, porque a Câmara não pode continuar a ter encargos financeiros com luz, água e até a conservação em equipamentos que estão encerrados. Aliás, já estamos a fazer o corte desses serviços”, revelou Virgílio Bento.

O vice-presidente do município, também responsável pelo pelouro da Educação, ainda não sabe ao certo o número de imóveis nessas condições, mas recorda que nos últimos três anos encerraram mais de 30 escolas no concelho. E a perspectiva para 2007 também não é animadora: «A reorganização do parque escolar vai continuar, nomeadamente nas freguesias rurais que vivem uma situação de despovoamento, pelo que é altura de decidirmos o que fazer com esses edifícios», afirmou. Virgílio Bento recordou que, até aqui, alguns têm sido cedidos a colectividades ou Juntas de Freguesia, mas que agora será preciso um «projecto global». Concluído o levantamento, o executivo deliberará sobre o novo uso das antigas escolas e o método quer vai nortear a sua venda ou concessão.

«As propostas serão analisadas caso a caso, tendo em conta as realidades locais, se há ou não equipamentos públicos, mas também em função dos projectos apresentados», sublinhou, esclarecendo, no entanto, que um dos factores de entrega será a sua importância para o desenvolvimento e a dinamização local. «O que é certo é que quem ficar com esses edifícios terá que ser responsável por todas as despesas de manutenção e funcionamento que lhe estão inerentes», disse. Neste ano lectivo já não abriram 16 escolas no concelho da Guarda, todas elas com cinco ou menos alunos. Em 2005 encerraram cerca de 10, mais duas que em 2004.

Luis Martins

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