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À descoberta das “Aldeias do Côa”

“O Interior” vai dar a conhecer as 13 povoações/núcleos de sete municípios do distrito da Guarda que fazem parte da intervenção

Cidadelhe, Vilar Formoso, Escalhão e Fóios são, até ao momento, as localidades que já viram projectos aprovados no âmbito da intervenção “Aldeias do Côa”, a decorrer há cerca de dois anos no âmbito da Acção Integrada de Base Territorial (AIBT) do Côa em sete municípios do distrito da Guarda. Ao todo são 13 as povoações/núcleos urbanos com potencial turístico nos concelhos de Almeida, Figueira Castelo Rodrigo, Mêda, Pinhel, Sabugal, Trancoso e Vila Nova de Foz Côa, que “O Interior” vai dar a conhecer ao longo dos meses de Verão.

Foz Côa com cinco núcleos urbanos é o concelho com mais “Aldeias do Côa”. São elas Chãs/Santa Comba/Tomadias, Muxagata, Castelo Melhor, Almendra e Vila Nova de Foz Côa. Seguem-se Almeida (Vilar Formoso e Castelo Bom) e Sabugal (Fóios e Vilar Maior) com duas, enquanto Pinhel (Cidadelhe), Figueira Castelo Rodrigo (Escalhão/Barca d’Alva), Mêda (Longroiva) e Trancoso (Cogula) têm uma apenas. Os critérios que presidiram à escolha das “Aldeias do Côa” foram de dois tipos, indica Joaquim Felício, chefe de projecto do Eixo II do Programa Operacional (PO) do Centro, no qual está integrada a AIBT do Côa. O primeiro esteve relacionado com a inserção dos aglomerados no Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC), caso de Foz Côa (sede do parque), Almendra, Castelo Melhor e Muxagata (postos de recepção do PAVC), Chãs/Santa Comba/Tomadias, Longroiva e Cogula. Em segundo foram escolhidos os núcleos urbanos que constituem «as principais “portas de entrada” no território da intervenção», como Vilar Formoso, Escalhão/Barca d’Alva, Cidadelhe e Pocinho. Já a freguesia de Fóios foi escolhida «simbolicamente» por ser o local onde nasce o rio Côa.

Os primeiros passos desta intervenção foram dados em Fevereiro de 2003 com a realização de uma Unidade de Gestão da AIBT do Côa, onde se abordou a selecção que estava a decorrer relativamente às “Aldeias do Côa”. Contudo, só na Unidade de Gestão de 17 de Maio de 2004 é que foi apresentada «a listagem de aldeias e núcleos urbanos que viriam a integrar, em definitivo, a intervenção, as acções a apoiar, tipologia de investimentos e a estimativa financeira global de investimento público», que ronda os cinco milhões de euros, explica Joaquim Felício. Até agora os investimentos realizados prendem-se com «arranjos urbanísticos e iniciativas de recuperação de imóveis ou equipamentos tradicionais». Em termos financeiros, entre o que foi aprovado e o que está em fase de apreciação para aprovação, a intervenção já comprometeu 3,5 milhões de euros. Cidadelhe, Vilar Formoso, Escalhão e Fóios são as localidades com projectos aprovados, enquanto que «em fase de apreciação» estão projectos para Almendra, Castelo Melhor, Muxagata, Chãs, Santa Comba, Tomadias, Foz Côa, Fóios e Vilar Maior.

Das quatro localidades já intervencionadas, Cidadelhe foi a que mais obra registou, «resultante também do facto de já ter sido acompanhada anteriormente» pelo Gabinete Técnico Local de Pinhel, frisa Joaquim Felício. Foi assim que foi construído um Centro Difusor e Pólo de Informação Turística, já «concluído», embora ainda não esteja operacional porque parte dos conteúdos ainda não está pronta. Foi ainda recuperada uma capela e efectuados arranjos urbanísticos. Já no caso de Fóios houve uma «pequena intervenção» no acesso ao local da nascente do Côa. O chefe de projecto do Eixo II do PO do Centro salienta que as iniciativas apoiadas ou a apoiar estão relacionadas com a «valorização da imagem dos aglomerados e seu património». Contudo, o que está a ser feito encontra-se ainda numa «fase embrionária». Ultrapassada esta etapa, «dever-se-ia pensar em consolidar uma orientação de base comum estruturada numa estratégia integradora por forma a que as diferentes “aldeias” pudessem funcionar como núcleos de uma rede e em que as intervenções promovidas em cada uma delas fizessem sentido quando vistas globalmente», considera.

“Aldeias do Côa” têm grande potencial turístico

Apesar das «dificuldades e estrangulamentos» que os concelhos do interior raiano evidenciam, apresentam também «potencialidades e recursos», nomeadamente, relacionados com o seu «património histórico/cultural e a sua paisagem que importa valorizar», sublinha Joaquim Felício, adiantando que o território de intervenção encerra um «potencial turístico de inegável valia à escala nacional e mesmo internacional, que se impõe valorizar e promover». No entanto, «a oferta turística não se pode fazer apenas tendo em conta pequenas fracções do território e de tudo o que ele tem para oferecer em termos patrimoniais e culturais», frisa. Por isso, o território do Côa terá que se afirmar «conjuntamente com outros territórios que lhe fazem fronteira», especialmente o Douro Internacional e a Serra da Estrela. «Só assim se promoverá e se afirmará a atractividade destes territórios em termos turísticos, traduzindo-se em ganhos, particularmente económicos, que poderão ajudar o seu desenvolvimento». Estas intervenções poderão ainda contribuir para o «aumento da auto-estima» dos seus habitantes, bem como gerar actividades complementares à agricultura. Embora numa fase inicial, foi lançado um concurso para a elaboração de um plano estratégico de promoção turística para o território de intervenção da AIBT do Côa e que vai ter em conta as “Aldeias do Côa”. «O objectivo é analisar o que foi feito mas, mais importante, o que poderá vir a ser realizado no âmbito do próximo período de programação», realça Joaquim Felício.

Ricardo Cordeiro

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