Arquivo

2012 em retrospetiva

Portagens, ULS da Guarda, Ana Manso, austeridade, insolvências, Coficab, Rui Costa, Eduardo Lourenço, padre António Moiteiro, PAEL, Hotel Turismo, “Bacalhau”, Câmara da Guarda, abusos sexuais, são as palavras-chave de 2012 para uma retrospetiva das principais notícias que fizeram O INTERIOR no ano que agora termina.

Janeiro:

Os habitantes da região iniciaram 2012 tal como acabaram o ano anterior: a pagar portagens. Introduzida a 8 de dezembro de 2011, a cobrança nas ex-SCUT A25 e A23 tirou 3.850 veículos por dia só nesta última auto-estrada. Na Guarda, o recém empossado Conselho de Administração da ULS, presidido por Ana Manso, conseguiu 6,4 milhões de euros para concluir novo pavilhão do Sousa Martins, que já devia estar a funcionar, mas continuava em obras nessa altura. O INTERIOR revelou, em primeira mão, que a PJ estava a investigar a venda do Hotel Turismo e que tinha sido ultrapassada a barreira dos 15 mil desempregados na região. Por cá, surgiram os primeiros alertas para os problemas de cobertura da TDT, enquanto o Governo decidiu extinguir o Polo de Turismo da Serra da Estrela. E por falar em mudanças, Manuel Frexes, até então presidente da Câmara do Fundão, foi nomeado para a administração da Águas de Portugal. Janeiro terminou com uma boa notícia. O cientista guardense Rui Costa foi premiado pelo Instituto Médico Howard Hughes, dos Estados Unidos, sendo reconhecido, a par de outros 28 investigadores, como «futuros líderes científicos nos seus países».

Fevereiro:

Há quatro anos que a sociedade Plataforma Logística de Iniciativa Empresarial (PLIE) da Guarda tenta, sem sucesso, o aumento de capital de 50 mil euros para 1,5 milhões, que falhou novamente por falta de quórum do Conselho de Administração. Motivo de preocupação era também o consumo de drogas e de álcool nas imediações da Secundária Afonso de Albuquerque. Ainda na Guarda, a autarquia deliberou comprar o edifício do antigo “Bacalhau” por 1,4 milhões para a escola profissional Ensiguarda. Soube-se também que a modernização da Linha da Beira Baixa, entre a Guarda e Covilhã, tinha sido suspensa e que o grupo FDO, dono do centro comercial Vivaci Guarda, estava à beira da insolvência com mais de 220 milhões de dívidas. Insolvente foi declarada nesse mês a construtora ARL, na Guarda. No Fundão, o Ministério Público acusou de peculato o ex-provedor da Misericórdia local, Manuel Antunes Correia, três filhas e dois genros por desvio de mais de 100 mil euros da instituição. O Ministro da Saúde garante que o fecho de maternidades na Beira Interior «não está planeado» e o primeiro-ministro Passos Coelho foi vaiado em Gouveia, naquela que foi a primeira manifestação contra o chefe do executivo.

Março:

Três meses depois de tomar posse, Ana Manso dá que falar ao nomear o marido para auditor interno da ULS, mas também o advogado e amigo João Bandurra, este contra a posição do Conselho de Administração. O primeiro foi demitido um dia depois, o segundo ficou até ao final. Foi o princípio do fim desta administração. A cidade foi ainda abalada pela notícia dos problemas financeiros do grupo Gonçalves & Gonçalves, que entrou em “lay-off”. As portagens voltaram a dar que falar, mas porque um relatório do Instituto de Infraestruturas Rodoviárias (INIR) revelou que, em dezembro, a A25 e A23 perderam 6 mil carros por dia. Na região, o tempo seco e quente ateou fogos de Inverno, o maior dos quais (mais de 350 hectares) registou-se em Vale de Amoreira (Manteigas). Março foi também o mês escolhido para o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, regressar à terra dos seus avós paternos, em Manteigas, e de Manuel Rodrigues ser eleito para a concelhia do PSD da Guarda por 85 militantes. Em Longroiva, a Junta acusou a Câmara da Mêda de vender património da freguesia e inviabilizou a construção de hotel termal. Na Guarda, os comerciantes voltaram a pedir obras no mercado municipal e a autarquia adjudicou a requalificação do parque industrial por 509 mil euros.

Abril:

As obras do Hospital Sousa Martins voltaram a parar e desta vez o consórcio construtor exigia cerca de oito milhões de euros para retomar os trabalhos. Também por falta de dinheiro, o projeto GuardaLink, grande projeto de transportadoras da região, não avançou. Pelo contrário, a PT iniciou na Covilhã a construção do maior data center da Europa, enquanto na Guarda arrancou a requalificação do Arco Comercial. Neste mês foram divulgadas as conclusões arrasadoras da Inspeção-Geral de Finanças ao município guardense e, em Trancoso, o PS acusava o PSD, em maioria no executivo, de «arruinar» a autarquia. Em abril, o distrito da Guarda já tinha a terceira maior área ardida do país. O tempo seco teve outra consequência, pois a falta de neve proporcionou o «pior inverno dos últimos anos» na Serra da Estrela. No IP3 um acidente rodoviário ceifou três familiares da Guarda que iam a uma consulta nos HUC. Na política, José Albano recandidata-se a um terceiro mandato na Federação do PS da Guarda, tendo como adversário Fonseca Ferreira. O Governo apresentou uma nova lei que implica que as Câmaras da Guarda e do Sabugal, nomeadamente, tenham que eliminar metade das chefias em 2013. A UBI agraciou o ex-Presidente da República Ramalho Eanes com honoris causa e o escritor Mia Couto veio à Guarda receber o Prémio Eduardo Lourenço.

Maio:

Foi um mês de boas notícias. A começar pela Coficab, que comprou os pavilhões de empresas do grupo Gonçalves & Gonçalves para construir Centro Técnico e aumentar a capacidade produtiva da fábrica de Vale de Estrela. Já o ranking elaborado pela Associação das Termas de Portugal revelava que as Termas do Cró (Sabugal) são das mais frequentadas do país. Na investigação, Carlos Carreto, docente do IPG, apresentou aplicação para detetar cancros de pele com telemóvel e Eduardo Lourenço recebeu Prémio Pessoa. Por sua vez, o cientista Rui Costa, da Fundação Champalimaud, regressou à escola da sua infância, a EB da Estação. Mas nem tudo correu bem. A crise do grupo empresarial Gonçalves & Gonçalves adensou-se e o “call center” da Adecco, a grande aposta de Joaquim Valente em 2009, dispensou todos os trabalhadores. Não era, por isso, de estranhar que o desemprego continuasse a aumentar. Em abril, havia 17.510 pessoas à procura de trabalho na região. No Sabugal, a tauromaquia foi declarada de interesse municipal, enquanto na Guarda tiveram início as obras que deviam resolver a poluição do Noéme. No desporto, o Aguiar da Beira sagrou-se campeão distrital de futebol e o Sp. Covilhã, penúltimo classificado da IIª Liga, safa-se na secretaria para continuar na competição.

Junho:

O Conselho de Administração da ULS da Guarda divulga a reprogramação da segunda fase da requalificação do Hospital Sousa Martins, que implica uma redução do investimento em 50 por cento. O assunto continua na ordem do dia. Confirmado foi o adiamento da construção do novo quartel da GNR da Guarda, enquanto os autarcas de Mêda, Sabugal, Vila Nova de Foz Côa, Fornos e Figueira de Castelo Rodrigo contestaram o anunciado fecho dos respetivos tribunais. Neste mês, o Tribunal de Contas considerava que as portagens nas antigas SCUT foi um mau negócio para o Estado ao garantir às concessionárias um «regime de remuneração mais vantajoso». O Sabugal inaugurou o Centro de Estudos Jesué Pinharanda Gomes e o padre António Moiteiro foi nomeado Bispo auxiliar de Braga pelo Vaticano. Em junho, o distrito da Guarda passou a ter uma “deputada” na Assembleia Nacional francesa e O INTERIOR falou com Christine Pires Beaune, cujos pais são de originários de Casal de Cinza (Guarda). Na política caseira, Nuno Almeida foi reeleito na concelhia da Guarda do PS e Fonseca Ferreira, por sua vez, foi afastado das eleições para a Federação do PS da Guarda por não estar inscrito em nenhuma concelhia do distrito. O TMG, com uma exposição inédita de Mário Cesariny, Renato Gonçalves, promovido à primeira categoria da arbitragem, e a Fundação D. Laura dos Santos, que subiu à Iª Divisão do futebol feminino, foram outros destaques de um mês em que também se ficou a saber que a Guarda estava na cauda das melhores capitais de distrito para se viver, segundo um estudo da DECO.

Julho:

Na Covilhã, o ministro da Economia Álvaro Santos Pereira foi vaiado e insultado. A “lay-off” foi suspensa na Toiguarda por causa de salários em atraso e os moradores do Bairro Nª Sra. dos Remédios criticaram a Câmara da Guarda por causa do andamento das obras no local. No tribunal, chegou ao fim o caso das cartas com um abaixo-assinado de médicos do Hospital Sousa Martins sobre a maternidade retidas por Fernando Girão. O ex-presidente da ULS foi absolvido. José Albano Marques foi reeleito na Federação PS da Guarda após vários recursos de Fonseca Ferreira. Na região, destaque para a pretensão de Manteigas integrar as freguesias de Valhelhas (Guarda) e Verdelhos (Covilhã) e para a “luz verde” dada à Barragem da Ribeira de Cortes, na Covilhã. Nessa cidade, o empresário Paulo de Oliveira pedia uma indemnização de 510 mil euros à Câmara por alegados prejuízos com a construção do parque de São Miguel (Tortosendo). Na Guarda, a Delphi pôs à venda as suas antigas instalações na Estação e a delegação do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social mudou-se de um edifício do Estado para instalações arrendadas por 1.300 euros mensais. O “Quinta do Cardo, Grande Escolha”, grande vencedor do Concurso de Vinhos da Beira Interior, e a confirmação da manutenção do Sp. Covilhã na IIª Liga foram outros destaques do mês. O INTERIOR revelou ainda que mais de 300 professores do distrito ficaram com “horários zero”.

Agosto:

Num mês de estio, rebentou a “bomba” no Conselho de Administração da ULS da Guarda com as primeiras notícias sobre o possível despedimento de Ana Manso. O ministro da Saúde estaria descontente com o seu desempenho, isto enquanto Francisco Manso regressava à ULS de Castelo Branco. Outra péssima notícia foi o desmoronar do império Gonçalves & Gonçalves, empresa declarada insolvente semanas antes da Toiguarda. Já o Festival Serra da Estrela não se realizou em Manteigas por falta de apoios. Mais a norte, o Museu do Côa recebeu em dois anos mais de 63 mil visitantes, mas efeito das portagens já se fazia sentir na bilheteira. A partir de agosto, a Guarda passou a ter uma ligação direta a Madrid e Salamanca e mais uma opção para viajar até Lisboa com a paragem do Lusitânia Expresso. Como é recorrente nesta altura do ano, os incêndios voltaram à primeira página de O INTERIOR, que noticiou também que apenas 23 médicos concorreram às 55 vagas abertas pelas ULS da Guarda. Aida Rechena era a nova diretora do Museu da Guarda.

Setembro:

Apesar da polémica, a ULS da Guarda apresentou um resultado positivo de três milhões de euros no primeiro semestre de 2012. O INTERIOR revelava, em primeira mão, que Joaquim Valente não se recandidatava à Câmara da Guarda e que José Igreja iria avançar. Faleceu em Coimbra Augusto Monteiro Valente, conhecido como o “capitão Valente”, um dos principais protagonistas do 25 de abril na Guarda. O último relatório do INIR revelava que a A25 perdeu mais veículos que a A23 desde o início do ano por causa das portagens. Os fogos não davam descanso e desta vez devastaram os concelhos de Seia, Gouveia e Fornos de Algodres. A Câmara da Guarda pediu 18 milhões de euros através do Programa de Apoio à Economia Local (PAEL), o Fundão solicitou 37 milhões e a Covilhã 2,8 milhões. O INTERIOR noticiou ainda que 61 por cento dos desempregados existentes no distrito já não tinha direito a subsídios e divulgou os nomes de ex-autarcas referenciados numa lista de maços do Grande Oriente Lusitano. Na Covilhã, a Associação Cultural da Beira Interior ganhou uma ação em tribunal em que exigia 270 mil euros à Câmara por subsídios que ficaram por pagar. Este mês, o Aguiar da Beira fez história no futebol ao qualificar-se para a terceira eliminatório da Taça de Portugal, mas o clube acabou eliminado pelo primodivisionário Marítimo. Setembro ficou ainda marcado pela manifestação contra a austeridade. Na Guarda, mais de mil pessoas saíram à rua em protesto contra as medidas adotadas pelo Governo de Passos Coelho.

Outubro:

O início do mês ficou marcado pelo fim das isenções e descontos no pagamento das portagens nas antigas SCUT para moradores e empresas, que passaram a beneficiar de tarifas 15 por cento mais baixas, segundo o Governo. Mas também pela morte de dois elementos da Brigada de Trânsito da Guarda na A23, abalroados por um jovem que tinha roubado uma carrinha em Foz Côa. A crise fez mais vítimas no distrito, pois os trabalhadores rescindiram contratos na Chupas & Morrão por ordenados em atraso. Na Guarda, as obras do Hospital Sousa Martins recomeçaram após a ULS pagar 7,8 milhões de euros ao consórcio Hagen/Edifer, que se comprometeu a concluir primeira fase dos trabalhos até 5 de fevereiro de 2013. Por sua vez, a Câmara extinguiu o Cibercentro um ano depois de lhe atribuir 30 mil euros, numa altura em que o Turismo de Portugal confirmou a O INTERIOR que pretende vender o Hotel Turismo. Ficou também definida a lista de tribunais a encerrar no distrito, sendo que o ministério mudou de ideias em relação a Vila Nova de Foz Côa e Figueira de Castelo Rodrigo. Assim, só vão fechar em Fornos de Algodres, Mêda e Sabugal. Outubro foi o mês do falecimento do poeta e escritor Manuel António Pina, natural do Sabugal.

Novembro:

Ana Manso foi demitida da ULS Guarda e, na hora da saída, disse-se vítima de «lóbis», acrescentando que a sua equipa «merecia um louvor pelos resultados da boa gestão» em vez de ser exonerada. Vasco Lino, até então diretor do Agrupamento de Centros de Saúde da Cova da Beira, é o administrador que se segue. O INTERIOR revela que a Câmara da Guarda não salvaguardou o direito de reversão do Hotel Turismo caso não se concretizasse o hotel-escola anunciado em 2011. Mas também que o distrito da Guarda perderá 71 freguesias, a Cova da Beira apenas quatro. Os resultados dos últimos Censos confirmam que população do distrito diminuiu acentuadamente e está mais idosa. O nosso jornal noticiou ainda que a REFER fecha estação da Guarda durante a noite, deixando na rua e ao frio os passageiros do Sud-Express. Já as repetidas ausências de Joaquim Valente foram criticadas pelo PSD, que disse haver na Câmara «um presidente executivo e outro honorário, para as festas e cerimónias». A multinacional de calçado Rohde foi condenada a pagar 670 mil euros à Câmara de Pinhel pela venda das instalações da antiga fábrica, que fechou em 2006, e o tribunal dissolveu Junta de Aldeia Viçosa por não apresentar contas de 2009. Foram divulgados os primeiros candidatos às autárquicas de 2013: Vítor Pereira (PS) e Pedro Farromba (independente apoiado por Carlos Pinto) na Covilhã, Manuel Rodrigues (PSD) e Baltazar Lopes (independente) na Guarda. O Centro Cultural da Guarda comemorou 50 anos e o mês terminou com a rutura pública e notória entre João Esgalhado e Carlos Pinto na Câmara da Covilhã.

Dezembro:

Com o Inverno à porta, O INTERIOR revelou que há frio nas escolas da Guarda porque o aquecimento era desligado mais cedo para poupar. Após a notícia, a autarquia voltou a reprogramar o sistema. Nas Freixedas (Pinhel), as plantas selvagens são um bom negócio para a empresa Planalto Dourado, já as gravuras rupestres do Vale do Côa estavam nas latas da Coca-Cola. Por cá, o IPG anunciou que tem impacto de mais de 24,6 milhões de euros na região e o campo da batalha de S. Marcos (Trancoso) foi classificado Monumento Nacional. A Câmara da Guarda devia mais de 2,2 milhões ao grupo Gonçalves & Gonçalves pela compra do “Bacalhau” e vai fundir empresas municipais Culturguarda e Guarda Cidade Desporto. O piloto Mário Patrão escolhe O INTERIOR para anunciar que vai participar no Rali Dakar, com partida agendada para 5 de janeiro. Na Covilhã, a Barragem da Ribeira de Cortes volta à estaca zero, enquanto a REFER confirma que o troço Guarda-Covilhã, da linha ferroviária da Beira Baixa, continuará fechada em 2013 e 2014. Começou a ser construído no Cró (Sabugal) o primeiro hotel termal do distrito. A PJ deteve o vice-reitor do Seminário do Fundão por abusos sexuais de menores. Na política, José Igreja é o candidato do PS à Câmara da Guarda ao vencer Virgílio Bento nas diretas. No PSD, uma nova sondagem deverá validar candidato à Câmara da Guarda – Manuel Rodrigues. O INTERIOR faz manchete com a condenação das Câmaras de Mêda e Celorico da Beira no caso da opção gestionária. Em consequência, vão ter de repor os aumentos de vencimentos retidos aos funcionários. No desporto, destaque para o Lameirinhas que está no bom caminho para subir ao escalão principal do futsal nacional.

Sobre o autor

Leave a Reply