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Grupo Desportivo da Mata com passivo de 90 mil euros

Assembleia Geral aprovou três medidas, entre as quais a alienação de terrenos

A direcção do Grupo Desportivo da Mata, na Covilhã, estima em 90 mil euros as dívidas da colectividade. «Neste momento, as receitas não chegam para pagar as despesas», revela Paulo Rosa, presidente da direcção, acrescentando que os salários dos trabalhadores da instituição não estão em risco. A Assembleia Geral da última sexta-feira aprovou uma proposta da direcção, que pode agora alterar o projecto inicial do pavilhão gimnodesportivo e construir um mais modesto, além de ceder parte dos terrenos anexos à sede a um empreiteiro e negociar outras parcelas.

O grupo possui 4.500 metros quadrados nas imediações da sede, mas só um décimo será alienado numa primeira fase. Na reunião houve quem contestasse esta «perda de património», mas Paulo Rosa considerou o contrário e que o processo até poderá fazer aumentar o património da Mata: «Não é uma alienação sem troco, pois os terrenos poderão ser rentabilizados», disse, recordando que o património «triplicou nos últimos 10 anos». Isto porque «o GD da Mata é uma empresa, que ou investe ou morre», sublinhou. Às Construções Daniel, propriedade de Daniel Augusto, serão entregues 450 metros quadrados como forma de saldar uma dívida de 60 mil euros para com o empreiteiro. Em contrapartida, o empresário assumirá a remodelação do bar e do salão da instituição covilhanense. Para a actual direcção, esta é a melhor forma de rentabilizar esta parcela do terreno. Ainda assim, Paulo Rosa fez saber que «a venda dos terrenos não resolve todos os problemas».

Nesse sentido, há mais duas medidas na mesma deliberação, cuja execução será acompanhada por uma comissão específica, composta pelos órgãos sociais do grupo e alguns associados. Para um futuro próximo está prevista a negociação dos restantes terrenos e a alteração do projecto do pavilhão gimnodesportivo, idealizado há mais de sete anos e orçado em 2,5 milhões de euros. A direcção responsabilizou-se por um objectivo «que assumiu e ainda não está pronto, não havendo perspectivas de quando estará», apesar do então candidato à Câmara Carlos Pinto ter prometido apoios. No seio dos sócios há quem se sinta enganado ano após ano. A este respeito, Paulo Rosa não tem dúvidas e admite o recuo da autarquia: «Não é possível à Câmara suportar este projecto, pois era preciso alguma comparticipação do Estado», sustenta. Sem garantias de financiamento, a alteração do projecto é o rumo a seguir pelo GD da Mata e, por exemplo, abdicar das piscinas previstas reduzirá o orçamento em mais de 300 mil euros.

Do plano inicial serão ainda apagados o restaurante, os camarotes VIP, lojas e «alguma exuberância», que o encareciam, admite o dirigente. Com este equipamento, a colectividade conta promover algumas das suas actividades desportivas e culturais, podendo rentabilizá-lo de outras formas. Isto para combater a «ruptura financeira» em que o GD da Mata se encontra, agravada pela sua «localização periférica e pela falta de jovens».

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