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Aveiro a uma hora da Guarda

A25 fica pronta em Setembro com a conclusão dos 31 quilómetros que faltam entre Boaldeia e Mangualde

A abertura ao tráfego, no último sábado, do lanço da A25 entre Mangualde e a Guarda, num total de 58 quilómetros de extensão, poupa meia hora de viagem aos condutores e coloca a “cidade mais alta” a cerca de uma hora de Aveiro. A informação foi avançada pelo grupo Aenor – Concessão Beiras Litoral e Alta, que sublinha a importância da redução do percurso para os automobilistas em geral, particularmente para os turistas e emigrantes que nesta altura do ano entram e saem aos milhares pela principal fronteira portuguesa, Vilar Formoso.

Este troço liga a A25 à A23 no nó de Pinhel, na zona da Guarda, e foi aberto ao tráfego há cerca de três semanas. Faltam agora 31 quilómetros entre Boaldeia (Viseu) e Mangualde, com inauguração prevista para 30 de Setembro, para que o litoral (Aveiro) fique ligado à fronteira de Vilar Formoso por auto-estrada, substituindo o IP5. Na cerimónia de inauguração, realizada no nó de Pinhel, o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações reiterou que esta auto-estrada, bem como a A23, entre Guarda e Abrantes, não vão ter portagens. «Nesta zona do interior do país achamos que tem que haver uma co-participação de todos no esforço de todos para o seu desenvolvimento», disse, garantindo que as intenções do Governo continuam por enquanto inalteradas. «A nossa política é a de manter as auto-estradas sem custos para o utilizador [SCUT] nas zonas do país com desenvolvimento económico abaixo da média nacional e onde não há outras alternativas. Quando isso se verificar, então mudaremos a política», insistiu. Mário Lino sublinhou ainda que «inaugurar um metro de uma nova auto-estrada faz bem à auto-estima dos portugueses», porque significa que «estamos não só a encurtar as distâncias, mas também a fazer prova da nossa capacidade empreendedora».

Uma característica realçada por António Mota. O presidente da Mota-Engil falou em representação dos accionistas para recordar que o projecto foi executado «exclusivamente por empresas portuguesas e estamos orgulhosos do que fizemos». Já o presidente da Câmara da Guarda considerou a obra «determinante» para a cidade, pois «dá-lhe uma nova centralidade e torna-a atractiva para os investidores». Contudo, Joaquim Valente não esqueceu o que falta fazer: «Temos que nos lembrar das populações locais do Vale do Mondego e do Norte do concelho, que tinham ligações para o IP5 e ficaram agora mais longe da A25 e da Guarda», alertou. Em resposta, ministro e secretário de Estado anunciaram que a ligação ao Alvendre vai abrir «muito rapidamente na parte que é possível, porque a outra necessita de estudos e de uma avaliação ponderada por forma a que se possam tomar decisões bem equacionadas», disse aos jornalistas Paulo Campos.

A A25 em números

O grupo Aenor tem previsto para a concessão total da A25, adjudicada à Lusoscut em Março de 2001, um investimento de 704,6 milhões de euros, tendo este troço entre a Guarda e Mangualde custado 260 milhões de euros. A auto-estrada, que substitui o antigo IP5, permite poupar tempo nas viagens e aumentar a segurança dos automobilistas graças a duas faixas de rodagem de cada lado, 18 passagens superiores, 16 inferiores e 12 pontes e viadutos. Ao longo de todo o percurso foram instalados oito contadores automáticos de tráfego, nove câmaras de vídeo-vigilância, quatro painéis de mensagens variáveis, duas estações meteorológicas e 60 postos SOS. O projecto, executado exclusivamente por empresas portuguesas, integra-se na duplicação total da via entre Vilar Formoso e Aveiro.

Luis Martins

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