Sociedade

Jovens organizam convívios fora de horas ao ar livre

Escrito por Fátima Santos

Com discotecas e espaços noturnos fechados, durante as noites e madrugadas verificam-se casos de ajuntamentos entre jovens, onde predomina, além do convívio, o consumo de álcool na via pública e, consequentemente, a anulação do distanciamento físico recomendado.

Sem previsão de reabertura de espaços noturnos onde possam conviver, e com os bares e cafés a fechar às 23 horas, os jovens da região estão a organizar convívios alternativos que resultam em ajuntamentos ao ar livre, onde nem sempre se cumprem as recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Os jovens dizem sentir falta do ambiente social e académico, «principalmente de estar com os meus amigos, fosse no bar da universidade ou num café», refere um dos jovens contactados por O INTERIOR, que pediu para não ser identificado. Contudo, a maioria dos participantes não cumpre as devidas precauções, nomeadamente o distanciamento físico. Para a PSP não há «situações extraordinárias» de desrespeito das indicações da DGS e, ao contrário do que algumas pessoas relataram a O INTERIOR, para as autoridades de segurança as situações serão «pontuais». Porém, testemunhos de populares, garantem que têm sido muitos os “convívios noturnos” em que as medidas de segurança estão ausentes. Na Guarda foram averiguados determinados sítios para estes “encontros”, como é o caso do polivalente do bairro de Nª Sra. dos Remédios (na imagem), do parque municipal, do Parque da Saúde e do Parque Urbano do Rio Diz.

Com discotecas e espaços noturnos encerrados, durante as noites e madrugadas verificam-se casos de ajuntamentos de jovens em convívio e a consumir álcool na via pública. Encontros que não raras vezes terminam com os participantes a não cumprirem o devido distanciamento físico preconizado pelas autoridades de saúde. Contactado por O INTERIOR, o Comando da PSP da Guarda garante que, com a «incrementação da fiscalização noturna», não tem havido ocorrências, apenas «situações esporádicas». A polícia nega também situações de consumo de álcool na via pública e considera que «a situação está agora mais controlada» comparativamente ao início da pandemia. O INTERIOR procurou ouvir alguns dos participantes nestes convívios, mas todos recusaram falar.

Jovens convivem no Jardim do Lago, na Covilhã

Também na Covilhã há um desfasamento entre o que as autoridades dizem e o que acontece. A PSP garante que, «devido à margem de manobra atual, a situação está controlada», e admite que os convívios acontecem de forma «esporádica», mas nega a existência de ajuntamentos. No entanto, uma jovem que participa nesses «encontros» – e que pediu para não ser identificada – confirmou a O INTERIOR que «temos tido convívios noturnos, optamos por escolher espaços ao ar livre. Acabamos sempre por comprar algumas bebidas alcoólicas, mas acaba por ser um pouco incomodativo bebermos em espaços públicos, a uma certa hora aparecem os seguranças dos cafés que nos dizem que não podemos beber em espaços públicos e que temos de falar mais baixo». Na sua opinião, «isto acaba por ser desgastante e até frustrante para nós que só nos queremos divertir com amigos depois de meses em casa».

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Fátima Santos

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