Coronavírus Sociedade

Comerciantes da Guarda fecham portas

Escrito por Jornal O Interior

As medidas de prevenção relativas à propagação do surto de Covid-19 estão a ter um efeito devastador na economia local.

A pandemia do novo coronavírus deixa rasto até por onde ainda não passa. As medidas de prevenção e o aconselhamento da Direção-Geral da Saúde (DGS) estão a surtir efeito, e as ruas estão cada vez mais desertas.

Na Guarda, durante a manhã desta terça-feira, era notória a adesão ao isolamento. Várias lojas mostravam avisos de encerramento por tempo indeterminado e as poucas que se encontravam abertas não davam garantias de assim continuar. Ana Costa, funcionária da loja de moda Rulys – uma das poucas portas abertas nesta zona – descreve o estado do negócio como «mau, muito mau». «Estamos a esperar até quarta-feira» para decidir o eventual encerramento. «Vamos ver se eventualmente fecham tudo ou não. Eu acho que é o melhor, porque é preferível fechar agora para depois tudo voltar ao normal», afirma Ana Costa. A guardense considera que mesmo que o fecho signifique uma baixa no seu salário prefere ficar em casa.

Hélder Santos, funcionário da Ópticas Lince, na Rua do Comércio, conta que «o negócio está completamente parado». Apesar de não conseguir precisar qual a percentagem de queda nas vendas, sabe que «vai ser grave» pois «não há clientes, e se não há clientes não conseguimos faturar». Seguindo em frente muitas são as portas fechadas, com avisos colados no vidro que dizem o que já todos sabemos: “Face à pandemia de Covid-19 este estabelecimento encontra-se encerrado por tempo indeterminado”.

Ao chegar à Praça Velha há mais uma porta que, apesar disso, se mantém aberta. A Tabacaria da Sé continua a funcionar e, ao contrário dos “vizinhos”, não mostra sinais de quebra no negócio. Filipe Matias, o proprietário do estabelecimento, diz que «aqui as pessoas, em vez de virem comprar um maço de tabaco e fazerem a sua vida normal, levam logo aos dois e três volumes para estarem fechados uma semana ou quinze dias em casa», diz, explicando que, para quem fuma, «infelizmente, o tabaco é um bem essencial».

Apesar das vendas na loja terem aumentado, o responsável não assume um aumento do lucro pelo facto dos restaurantes e cafés – que também abastece – estarem a fechar portas. Apesar disso, Filipe Matias não considera encerrar, se não for obrigado a isso. «Não me posso dar ao luxo de fechar sem ter alguma ajuda», justifica, adiantando que pondera recorrer a apoios estatais. «Isto é uma paranoia. Acho que se toda a gente tivesse um pouco de cuidado dava para viver normalmente», acrescenta.

 

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