Sociedade

Armando Dias lembrado na concentração motard da Guarda

Escrito por Jornal O Interior

A XIIIª Concentração Motard atraiu à Guarda milhares de apaixonados pelas duas rodas no fim de semana, num encontro que ficou marcado pela homenagem a Armando Dias, o motard mais velho do país, que faleceu dias antes

A concentração organizada pelo Moto Clube da Guarda teve este ano a sua XIIIª edição. Concertos, convívios, atividades e o emblemático desfile de motos pelas ruas da cidade mais alta foram os atrativos deste encontro, que ficou marcado pelo falecimento, poucos dias antes, de Armando Dias. Com 91 anos, era sócio honorário da coletividade guardense, fundada em 1986. «Era o motard mais antigo da Península Ibérica, conhecido por moto clubes portugueses e espanhóis e acarinhado por todos», garantiu Vasco Costa, presidente do Moto Clube da Guarda há seis anos.
A morte do companheiro de estrada e de concentrações gerou uma onda de respeito e homenagem por parte da comunidade motard da região, que lhe dedicou um minuto de silêncio, uma salva de palmas e «algumas palavras de tributo», relatou Vasco Costa. «Este é um momento triste, pois o senhor Armando era muito querido entre nós», lamentou o dirigente. De resto, uma centena de motards marcaram presença na cerimónia fúnebre, realizada na quinta-feira, e escoltaram o veículo funerário pelas ruas da cidade. À frente do cortejo seguiu o seu emblemático “side car” Ural, de 2004, ornamentado com dois vistosos chifres.«Sempre que acontece uma infelicidade destas a um membro do Moto Clube fazemos os possíveis por acompanhar», disse o responsável, para quem «no caso do senhor Armando, além de devoção, era para nós uma obrigação ter o máximo de pessoas possível no percurso, pois ele merece».
Neste cortejo fúnebre estiveram presentes vários motards da região,nomeadamente de Pinhel, Borralheira, Sernancelhe, Fundão, Covilhã, entre outros. «Todos os lugares onde ele tinha amigos vieram prestar homenagem», assegura Vasco Costa.
Telmo Conde, vice-presidente do Moto Clube guardense, tinha uma relação de maior proximidade com o sócio honorário e recorda que Armando Dias foi «um dinamizador e alguém que levou sempre a Guarda ao peito. Era uma figura assídua nos nossos eventos e merece o respeito de todos nós». O dirigente considera ainda a hipótese de um tributo oficial no futuro. «Gostaríamos de fazer uma homenagem, como já fizemos a outros companheiros de estrada que já partiram», assume Telmo Conde. Armando dias foi um dos primeiros sócios da coletividade da Guarda, de acordo com Vasco Costa, que afirma que atualmente «temos quase 500 sócios inscritos». Apesar do número ter aumentado nos últimos cinco anos, o responsável admite que, existindo «cerca de duas ou três mil» motas na Guarda, há ainda «alguma resistência» por parte dos aficionados da região em pertencer oficialmente ao Moto Clube. A pensar no futuro, Vasco Costa refere ainda os melhoramentos planeados para a sede de um dos moto clubes mais antigos do país, localizado no bairro do Torrão. «Estamos a pensar ter uma residência para motards que passem nesta zona e possam ter um local para pernoitar a custo zero», adianta. A ideia é ter um máximo de 10 camas – algumas delas já colocadas no edifício –, bem como sanitários, para disponibilizar sempre que necessário.
A Concentração Motard da Guarda reuniu milhares no espaço da sede do Moto Clube. Além de concertos, o encontro contou com uma feira motard (com concessionários da região), zonas de exposição, onde foi destacada a mota emblemática de Armando Dias, espetáculos de “Freestyle”, “bike wash”, atividades lúdicas e jogos tradicionais.

Faleceu o motard mais velho do país

O motard mais velho do país foi sepultado na Guarda, na passada quinta-feira.
Armando Dias, natural da cidade mais alta, foi homenageado com um cortejo de motards, que acompanharam o cortejo fúnebre. Cerca de uma centena de elementos do Moto Clube da Guarda, dos “Lobos da Neve” e muitos outros motards da região compareceram à despedida do veterano, que faleceu aos 91 anos de idade. Armando Dias era um apaixonado pelas motas e pelo convívio característico das concentrações. «Tenho mota desde 1951 e não tenho perdido uma concentração em Portugal e Espanha desde que são organizadas», referiu a O INTERIOR Armando Dias, em junho de 2011, quando já se declarava «o motard ibérico mais idoso». Na altura recordou também que fazia «furor» nas concentrações de Valladolid e Faro, duas das maiores da Península Ibérica, ao volante de dois sidecars: uma Harley Davidson de 1930 e da Ural, marca russa, de 2004. «Graças a mim, a Guarda é sempre falada por onde passo», acrescentou.

Sobre o autor

Jornal O Interior

Deixar uma resposta