Política

Chaves Monteiro “esvaziou” poder de Sérgio Costa na Câmara da Guarda

Escrito por Jornal O Interior

Presidente retirou confiança política e pelouros ao vice-presidente por considerar que não «cumpriu bem» as funções confiadas e por «deslealdade institucional»

Depois de seis anos de euforia, avizinham-se tempos de angústia e incerteza no PSD da Guarda ao ponto de alguns dirigentes já admitirem a possibilidade de haver eleições intercalares para a Câmara. Na terça-feira Carlos Chaves Monteiro deu um “murro” na mesa e retirou a confiança política e todos os pelouros a Sérgio Costa. A decisão já era esperada desde que o vice-presidente da autarquia anunciou a candidatura à concelhia social-democrata da Guarda sem informar previamente o presidente do município. É também o culminar do clima de «incompatibilidade total» entre os dois que se agudizou nos últimos meses.

Anteontem, Carlos Chaves Monteiro convocou os vereadores da maioria, com exceção de Sérgio Costa – que estava em Lisboa ao serviço da Câmara –, os deputados do PSD na Assembleia Municipal e os presidentes de Junta para os informar que já não contava com o seu até então “braço direito” no executivo. O edil justificou a medida com o argumento de que o vice-presidente não «cumpriu bem» as funções que lhe tinham sido confiadas e acusou ainda Sérgio Costa de «deslealdade institucional». O presidente acrescentou ainda que vai assumir, interinamente, os pelouros do Urbanismo, Proteção Civil Municipal, Florestas e Higiene e Segurança Veterinária, sendo previsível que venham a ser redistribuídos pelos restantes três eleitos do PSD, Victor Amaral, Lucília Monteiro e Cecília Amaro.
A despromoção do vereador causou mal-estar entre os presentes na reunião e até foi criticada por alguns autarcas locais e por elementos ligados à JSD, que abandonaram mesmo a sala. Foram os únicos a fazê-lo num claro gesto de apoio a Sérgio Costa, que deverá agora regressar à Águas do Vale do Tejo, onde trabalhava como engenheiro antes de ser eleito para a Câmara em 2013. Sem pelouros e sem gabinete, o vereador deixa também de estar a tempo inteiro na autarquia, faltando saber como vai posicionar-se nas próximas reuniões do executivo. Carlos Chaves Monteiro e Sérgio Costa não prestam declarações. Contudo, este último confirma ter sido «apanhado de surpresa» com a decisão, que lhe foi comunicada telefonicamente pelo presidente ao final do dia de terça-feira. O vereador disse ainda que «é preciso ter calma e serenidade».

Por sua vez, Tiago Gonçalves adiantou a O INTERIOR que a «situação política decorrente» desta decisão ia ser analisada numa reunião da concelhia ontem [quarta-feira], já depois do fecho desta edição. «A concelhia é um órgão colegial, mas o seu presidente, em nome individual, lamenta a decisão porque tudo procurou fazer para evitar este desfecho», acrescentou o dirigente. Também a secção local do PS agendou para quarta-feira uma conferência de imprensa para reagir ao caso. Na última Assembleia Municipal, realizada no final de fevereiro, António Monteirinho já tinha aludido ao «mal-estar» e ao «clima de guerrilha interna» no seio da maioria PSD «para ver quem será o candidato em 2021».

Sérgio Costa reúne com José Silvano

Em face da tomada de posição de Chaves Monteiro foi adiada a reunião que Sérgio Costa e Júlio Santos tinham agendado para terça-feira para discutir a criação de uma lista de consenso à concelhia do PSD da Guarda.

O antigo presidente da mesa de secção estará disponível para concorrer contra o vereador e contará com o apoio de «um grupo de apoiantes e de militantes que não se reveem no estado atual da concelhia», disse a O INTERIOR. Este núcleo defende a necessidade de «haver uma alternativa» a Sérgio Costa nas eleições de 4 de abril e a estrutura montada em 2018 contra Tiago Gonçalves está pronta a regressar ao ativo. É com o partido em convulsão na Guarda que José Silvano, secretário-geral do PSD, vai reunir com Sérgio Costa esta quarta-feira para avaliar a situação e tentar serenar os ânimos.

Luís Aragão pode concorrer à Distrital

Luís Aragão admite concorrer à presidência da Distrital do PSD da Guarda contra Carlos Condesso. Em declarações a O INTERIOR, o ex-líder concelhio diz não se rever «na forma como aparece uma lista dessas, supostamente de abrangência», e critica a forma como surgiu. «Esta solução já estava prevista há muito tempo e isso não me agrada. Não me revejo nesta forma de fazer política e não sou o único», garante Luís Aragão. «Tudo nos separa. A forma de fazer política é completamente diferente», acrescenta o militante, que ironiza dizendo que «Álvaro Amaro a mim não me telefona a dizer para fazer isto ou aquilo, para apoiar este ou aquele». O também deputado municipal na Guarda adianta que, no caso das eleições para a concelhia, vai manter-se «equidistante»: «O problema não é o Sérgio Costa, mas como aparece a sua candidatura. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades», lamenta Luís Aragão.

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