Toma lá, dá cá!

Escrito por Diogo Cabrita

Os negócios que desconheces e podem sempre estar envolvidos em festas e tropelias são inúmeros. “Não te metas por aí que é um fio sem meada”, “isso é um novelo carregado de nós com ligações a várias pontas” – avisam os amigos. Num país fraco e mal vigiado há dezenas de pequenos nadas que colocam sopa na mesa e há milhares de relacionamentos que nunca resistem a uma mão amiga, a um abraço fraterno. Este problema é transversal ao povo que é useiro em “toma-lá-dá-cá”. Tu és meu amigo e, portanto, espero que me dês o negócio. Tu subiste com os meus votos e por isso te ligo a relembrar os empregos. “Se fosse eu – era assim”. Todos os moralistas contra os feitos de outros estão comparsas de crimes quando lhes calha a vez. “Não o ia deixar sem nada!”. “Não lhe ia falhar um atestado no desenrasca”. “Não vou fazer queixa da minha irmã”. “Nunca testemunharei contra o meu primo!”. Esta é a farinha que compõe a estrutura do bolo português. Por esta razão os ovos vêm da galinha da vizinha, a manteiga das vacas do primo, a panela do tio Fernando, o gás da empresa do mano e por isso somos todos solidários com o Lula e o Sócrates e os que ganham apartamentos de amigos, recebem luvas dos familiares, os diretores que conviveram connosco, os filhos dos amigos que se portam mal… Eu sou dos meus familiares e dos meus amigos, às vezes com sacrifício!

Sobre o autor

Diogo Cabrita

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