Os microdebates e o esclarecimento eleitoral

“Quinta-feira, o Jornal O INTERIOR em parceria com a Rádio Altitude e o NERGA, promove um debate com os cabeça-de-lista de todos os partidos com assento parlamentar – debate que será transmitido em streaming nas redes socias de O INTERIOR e do ALTITUDE e também em altitude.fm e em 90.9”

Passadas as festas e ainda assustados com a pandemia, vamos entrar nos próximos dias na agitação eleitoral para as legislativas de 30 de janeiro. As televisões oferecem-nos em formato microdebate, a dois, diários e intensos. A maioria não gosta, e quase todos criticam os media pela fórmula de 25 minutos definida. Mas a verdade é que os microdebates entre os líderes dos partidos com assento parlamentar têm sido interessantes e, em alguns, ouviram-se mais argumentos políticos do que normalmente acontece em “grandes” debates.
Se o frente a frente entre Rui Rio e André Ventura tinha sido um mau presságio do que poderia vir depois, com discussão tonta e frases néscias, os demais microdebates foram enriquecedores e esclarecedores sobre as opções e caminhos defendidos pelos candidatos. Podemos criticar a fórmula e não gostar da sensação de que tudo tem de ser depressa, mas, mesmo sem explicações profundas, é possível reter e analisar quem está mais preparado e tem melhores ideias.
O debate do dia 13 é o mais aguardado e, como nunca, e muito por causa da SARS-cov-2, sem comícios, sem almoços ou jantaradas, será na comunicação social que se joga tudo para tentar captar a atenção e os votos. No tempo das redes socias, o melhor debate, para já, foi à direita entre Rui Rio e Cotrim de Figueiredo, o mais desequilibrado foi entre António Costa e Jerónimo Sousa, com o secretário-geral do PS a arrasar o experiente líder comunista que não teve argumentos nem capacidade de resposta ao poder argumentativo e discursivo de Costa, e o pior debate foi entre Rio e Ventura reféns de discussão estéril e ignóbil.
Evidentemente que todos gostaríamos que os debates fossem mais enriquecedores, mais explicativos e esclarecedores, com as propostas de cada partido a serem escamoteadas e os candidatos tivessem tempo para argumentar e defender cada um dos pontos dos extensos programas. Que todos os candidatos a primeiro-ministro pudessem explicar com tempo e jeito o que defendem e querem fazer para mudar o rumo de Portugal: é o terceiro país da Europa com a maior dívida pública, apenas atrás da Itália e da Grécia (com 127% do PIB); é o terceiro país mais envelhecido do mundo (estima-se que em 2050 teremos a população mais envelhecida da Europa e que metade dos portugueses terão mais de 55 anos); está entre os seis países com menor produtividade da Europa; é um país que desceu da 15ª para a 22ª posição na lista dos mais ricos da Europa e foi ultrapassado em PIB per capita, nos últimos 20 anos, por Hungria, Eslovénia, Estónia, Lituânia, Malta, Polónia e República Checa; é um país com crescimento anémico e cuja economia depende de apoios públicos e onde só a economia social e subsidiada floresce… Haveria muito para discutir e debater, mas os monólogos e a demagogia repetitiva tomariam conta, como sempre, do debate público e no final a algazarra seria a recordação de cada debate. Por isso ainda bem que os debates são curtos, frontais e claros. Não é por se ter mais tempo de antena ou mais minutos para falar que se vai passar melhor a mensagem. É por ter ideias e argumentos para apresentar; é por ter capacidade de sintetizar; é por ter civilidade e qualidade argumentativa… Em poucos minutos pode-se fazer muito para informar e esclarecer o cidadão.
Nós por cá, entrevistámos duas ministras ligadas à região (Ana Abrunhosa e Ana Mendes Godinho), uma raridade que devemos sublinhar no final de uma legislatura que acabou a meio, para fazer o balanço de dois anos no Governo, em especial no que concerne ao interior. E vamos acompanhar informativamente as principais incidências da campanha. Quinta-feira, o jornal O INTERIOR, em parceria com a Rádio Altitude e o NERGA – Associação Empresarial, promove um debate com os cabeça-de-lista pelo círculo da Guarda de todos os partidos com assento parlamentar. Uma oportunidade para ouvirmos todas as candidaturas pelo distrito – debate que será transmitido em streaming nas redes socias de O INTERIOR e do ALTITUDE e também em altitude.fm e na rádio. Depois, dia 20, faremos um debate com os cabeça-de-lista dos partidos com deputados eleitos pelo distrito da Guarda na última legislatura (Ana Mendes Godinho e Gustavo Duarte). É o nosso contributo para o melhor esclarecimento dos eleitores do distrito. Infelizmente, por distração ou irresponsabilidade, são muitas as dúvidas sobre a forma como irão decorrer as próximas eleições – entre as regras sanitárias e a falta de planificação – mas o melhor, se puder, é antecipar o voto.

Sobre o autor

Luís Baptista-Martins

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