Os fantasmas da liberdade – Passado

Escrito por Pedro Fonseca

«Então, perguntaria uma criança, na sua inocente e incessante curiosidade, o que é que mudou nestes últimos dois ou três anos?»

Por vezes, como nos ensinou Einstein, temos de ser capazes de formular perguntas simples, o tipo de perguntas que apenas uma criança conseguiria fazer.

A extrema-direita e o populismo não são novidades no Portugal contemporâneo. No século passado, fomos uns dos infelizes contemplados com um regime fascista. Uns anos antes da sua inauguração, já vigorava no país uma ditadura militar de direita e os “Camisas-Azúis” de Rolão Preto enchiam as ruas de propaganda fascista “Mussolini-style”.

Alguns anos após o desmoronamento do Estado Novo, o discurso dos saudosistas do antigo regime encontrava abrigo num dos partidos do arco da governação e grupos violentos de extrema-direita davam provas trágicas da sua existência entre nós. No início do presente século surgiu um partido assumidamente de extrema-direita, corporizando um discurso nacionalista e xenófobo.

O populismo de candidatos “antissistema” ou que conseguiam canalizar os sentimentos de desagrado com o regime também não é novidade no nosso país. Ou já todos nos esquecemos do resultado surpreendente que Marinho e Pinto, à boleia do MPT, conseguiu nas eleições europeias de 2014?

O atual líder populista da extrema-direita teve num dos dois partidos do centro do espetro político o seu habitat durante quase duas décadas. Foi precisamente o discurso xenófobo que utilizou na campanha autárquica de 2017, em que foi candidato à Câmara Municipal de Loures, que o catapultou para a ribalta e a notoriedade.

Então, perguntaria uma criança, na sua inocente e incessante curiosidade, o que é que mudou nestes últimos dois ou três anos?

(continua…)

Pedro Fonseca
Ex-presidente da Federação do PS da Guarda e antigo vereador da Câmara da Guarda

Sobre o autor

Pedro Fonseca

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