A Guarda n´O INTERIOR

Passados 19 anos e alcançadas as mil edições do jornal O INTERIOR, importa, em primeiro lugar, sublinhar a importância de se manter viva a força da imprensa regional, num desafio constante de se afirmar perante uma tendência cada vez mais marcante dos meios digitais. Por esse feito, dirijo as minhas felicitações a todos(as) os(as) que têm mantido vivo este intento e que têm alcançando estas já dezanove conquistas.
Na verdade, a imprensa local e regional deve merecer o nosso aplauso e ao mesmo tempo o nosso incentivo para que resista à tentação da “trica” e ajude a sustentar a importância da região onde se insere e dos seus valores.
Neste já longo período de quase duas décadas, em que muito aconteceu e muito se escreveu sobre a Guarda e a região, destaco inevitavelmente o progresso e uma mudança que fazem da Guarda de hoje uma cidade ambiciosa que se posiciona num eixo de afirmação da sua capitalidade.
O período de intensa mudança que a Guarda tem vindo a conhecer prioriza nos dias de hoje o desenvolvimento regional integrado, estratégico e sustentável, cujo horizonte é um futuro mais promissor para as gerações vindouras. Porém, combater os efeitos nefastos de um país centralizado e em que a interioridade continua a marcar a espuma dos dias, não é tarefa fácil – nem para quem governa localmente, nem tão pouco para quem por cá vive.
Em Portugal, o cenário socioeconómico, analisado na perspetiva regional, é representado por uma considerável diversidade, o que exige, por um lado, soluções que reflitam as prioridades locais/regionais, e, por outro lado, soluções mais flexíveis que permitam às regiões rever e ajustar os seus planos de acordo com as circunstâncias de cada uma. Um primeiro passo para convergirmos ao nível dessas soluções é precisamente a descentralização, sem embargo de haver diferentes modelos e de, numa etapa seguinte, ser necessário ir mais além, assumindo maior ambição. A premência da descentralização justifica-se por esta ser fundamental para a aproximação das decisões aos cidadãos, a promoção da coesão territorial, o reforço da solidariedade inter-regional, a melhoria da qualidade dos serviços prestados às populações e a racionalização dos recursos disponíveis.
Portugal é hoje um dos países mais centralizados da Europa e isso traz para o nosso país um vasto conjunto de tremendas injustiças. Combatê-las é cada vez mais um desígnio nacional e não apenas dos que cá nascemos, vivem ou trabalham.
Definitivamente os portugueses têm de assumir que nas próximas três legislaturas (12 anos) é imperioso alterar políticas públicas e com coragem política de todos tornar possível algo simples que só exige reconhecimento e vontade.
É que um país não pode ter soluções iguais para problemas tão diferentes nos diversos espaços regionais. A igualdade de oportunidades é uma miragem, em particular para os nossos jovens e isso é uma brutal injustiça.
O Movimento pelo Interior, de que me orgulho ter incentivado, apontou caminhos e soluções. Haja coragem para a sua implementação.
Mas é a todos nós, cidadãos, que também se exige uma cada vez maior participação cívica nos partidos políticos e fora deles, mas sempre tendo em vista o combate pelo Interior.
Pensar e agir por um desenvolvimento sustentado do nosso país é o desafio supremo de um futuro harmonioso para Portugal, para a nossa região e para a nossa Guarda – escrita e opinada na corrente das palavras de um jornal de quem se espera que continue e perdure a dar-lhe o merecido protagonismo.

* Presidente da Câmara Municipal da Guarda

Sobre o autor

Álvaro dos Santos Amaro

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