A escolha Cristã

Escrito por Diogo Cabrita

O caminho de cada um é a revolução individual. Fazer a opção por uma estratégia do bem, com escolhas persistentes entre o que parece bem e não. A estrada é uma linha cheia de cruzamentos onde em cada oportunidade deixamos outras passadas por dar, percorrendo o trilho escolhido. As grandes peregrinações são um pouco a iconografia da vida cristã. Escolhemos o caminho de Santiago e nele somos aquilo que queremos, nas idiossincrasias de cada um.
Vem isto a propósito da escolha que fazemos sobre a droga, o vinho, o tabaco, a forma de conduzir, o relacionamento que temos com os outros. O ser humano culto, inteligente, sofisticado, ou aquele outro até à “desvirtude”, é todo composto de características que são fundamentais às escolhas da caminhada. Nas múltiplas composições emocionais decidimos em cada dia e a cada momento. Temos tudo nas percentagens mais diversas e isso faz-nos diferentes perante a adversidade e a escolha. O menu que lemos cheio de hipóteses tem as que fazem melhor e as piores. Todo ele é escolhido.
O que nos faz optar? A ganancia, o medo, a preguiça, a gula, o fanatismo, o ciúme, a incerteza, a luxuria, a vingança, a melancolia, a tristeza, a vozearia, a vaidade, a raiva, a ambição, a paixão, o amor, a curiosidade, a dor, os vícios, o asseio, a timidez, a ignorância, o nojo, o ódio, e tantos outros pilares da animalidade que nos compõe.
Por tudo isto o caminho Cristão era a escolha individual. A escolha deriva da existência de opções. Se limparmos o caminho não nos picamos, mas não veremos rosas, nem silvas, nem ananases, nem catos, nem muita gente.
Proibir a droga, ou o álcool nunca mostrou ser uma opção com sucesso. A escolha é a decisão de não ir por ali. A penalização tem de ser vertida nas consequências que sabemos que têm as opções tomadas. Por tudo isto defendo a legalização regulamentada das drogas – todas! A prostituição – toda! Os casamentos todos – policromáticos, “poliamorosos”, homo, hétero, inter espécies – casa lá com o teu cão!
Importante é conhecer as consequências e aceitar o ostracismo, o isolamento – porque não temos todos de aceitar tudo e, portanto, podemos e devemos desligar o botão. Escolhes assim, mas não vens cá a casa. O grande problema humano está nesta regulação da fronteira entre pessoas e suas escolhas. A condução e o desporto é exatamente igual. Filmem tudo, observem tudo, aceitem como prova de justiça as imagens e desse modo pode haver claques livres nos estádios. Agrediu alguém? Vão buscar o animal a casa. Berra de mais? Vão multar o idiota a casa.
A escolha é de cada um e o preço da escolha vem da existência de regulamentos que são para cumprir. Esta é a apreensão que recebi do meu legado cristão.

Sobre o autor

Diogo Cabrita

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