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“Guarda 21”, onde a tradição ainda é o que era

Escrito por Jornal O Interior

Anabela Cunha e Catarina Ferreira*

Ludovina Margarido, gerente da empresa “Guarda 21” há quatro anos, prevalece com a inovação, a ciência e a qualidade dos seus produtos artesanais através dos processos que utiliza na transformação da matéria-prima que obtém da sua horta e do seu jardim.
A trabalhar num projeto de sustentabilidade na Quinta da Maúnça, Ludovina Margarido apercebeu-se que não existiam produtos artesanais feitos na Guarda, nem um doce típico. Neste intuito, a própria aproveitou as receitas da mãe e da avó e lançou workshops temáticos para ensinar as pessoas a fazer este tipo de produtos e incentivar a criação de pequenas empresas familiares. «A minha ideia foi não deixar cair aquilo que tinha ensinado os outros a fazer porque, como é uma coisa que me dá muito gozo, vou eu fazer», adianta a empreendedora, que licenciou a empresa e registou a marca. “Guarda 21” está relacionado com verbo “guardar”, pois todos os produtos que produz são enfrascados ou engarrafados, e o “21” diz respeito à Agenda 21 local que é, em termos de sustentabilidade, um documento de grande importância em Portugal e em todos os países da Comunidade Europeia no desenvolvimento sustentável e emprego jovem.
A gerente e produtora não compra matéria-prima para transformar, tudo o que faz é biológico, provém do seu jardim e da sua horta, pelo que garante a qualidade dos seus produtos junto dos consumidores. A marca assenta no conceito de sustentabilidade, isto é, nos quatro pilares (ambiental, económico, social e comunicacional), porque todo o processo é local, é artesanal e é baseado na cultura que lhe fora transmitida, apresentando assim uma gama variada de produtos, desde os licores de castanha, de mostajo, aos doces de marmelo, de laranja, de flores comestíveis, de mostajo e aos frutos secos. Rosa Tracana tomou conhecimento da “Guarda 21” no ano passado, nas Jornadas de Educação realizadas na Escola Superior de Educação, Comunicação e Desporto (ESECD) do Instituto Politécnico da Guarda (IPG) e confessa que ficou «admirada, principalmente com os doces. Gostei muito do doce de uva e do de amoras silvestres».
A diminuição significativa do tempo de cozedura e a quantidade de açúcar faz com que os produtos fiquem mais saborosos e saudáveis, mantendo todas as vitaminas. A particularidade que diferencia os produtos da terra gourmet de Ludovina Margarido não é só o sabor e a essência, mas a imagem em si, a embalagem simples, de vidro, transparente e cristalina, que transmite ao consumidor o equilíbrio. «Tive alguma dificuldade em vender os meus produtos para lojas gourmet porque os donos achavam que para serem gourmet tinham de ser pretos e dourados, e prateados e muito embrulhados, muito decorados», refere a empresária.
Ainda assim, não dá para definir qual o produto mais procurado, mas o doce “nuts for marmelade” conquistou uma estrela, ganhou um prémio internacional no concurso Great Food Awards, em Inglaterra. Um fruto que também dá que falar, que deixou de ter importância económica e no qual apostou, foi o mostajo, proveniente do mostajeiro, uma árvore que está quase extinta e que a produtora tem a sorte de possuir. Para Rosa Tracana, «é extremamente importante irmos aos produtos locais e, a partir deles, fazermos novos produtos para divulgarmos a nossa região». Neste momento, os produtos encontram-se disponíveis para venda no restaurante “Guido’s”, no mercado municipal (no cantinho da Lena), diretamente por encomenda, e em breve na plataforma “micas.pt”.

O que é o mostajo

Mostajo é um fruto de uma árvore que está em vias de extinção. Antigamente, no tempo da fome, as pessoas consumiam-no assado como as castanhas ou cru. A partir do momento em que começaram a viver melhor e chegaram frutos vindos de outros pontos do mundo, o mostajo deixou de ter importância económica e as pessoas começaram a cortar as árvores. Por isso, o mostajeiro está quase extinto e integra o livro vermelho das espécies protegidas. Em Portugal, esta árvore apenas de encontra na Serra da Estrela e zona da raia. O seu fruto está classificado na fitoterapia como um potencial protetor do organismo contra doenças degenerativas das células.

* Alunas do 2º Ano, TeSP Comunicação, Protocolo e Organização de Eventos (IPG)

** O INTERIOR inicia nesta edição uma nova colaboração com os estudantes do Instituto Politécnico da Guarda

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