Cara a Cara

«A Guarda é um dos distritos com mais desaparecidos, principalmente pessoas com doenças como a Alzheimer»

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Escrito por Efigénia Marques
P – O que faz a Associação Unidade Portuguesa de Intervenção e Resgate e como surgiu? R – A Associação foi criada por três amigos (os fundadores) e o interesse surgiu quando reencontrámos pessoas com o mesmo objetivo que nós. Já tínhamos na nossa mente que queríamos ajudar pessoas e quisemos pôr isto mais profissional com pessoas com formação. De momento, na equipa, somos 30 voluntários. P – Que intervenção e resgate fazem? Quem ajudam? R – Como o nome diz, fazemos intervenção e resgate – a pessoas e animais. Fazemos o salvamento seja de pessoas ou animais que estejam em perigo, sempre que formos solicitados para tal. Já fizemos resgates sem sermos solicitados; resgates de animais e buscas apeadas em que costumamos ajudar os bombeiros e as autoridades locais. P – Já surgiu alguma situação em que tivessem de fazer um resgate? Como se contacta a Associação Unidade Portuguesa de Intervenção e Resgate? R – Não são os bombeiros que nos convocam para essas operações. Normalmente são as entidades locais. Costuma ser os Desaparecimentos Rurais e a GNR a solicitar-nos ou nós mesmos entramos em contacto com eles para dar a nossa ajuda. Quando se trata de buscas por pessoas, quantos mais formos e quanto mais cedo conseguirmos atuar e reencontrar as pessoas, melhor. P – Qual foi o momento em que decidiram criar esta associação? R – Começamos por nos juntar a uma associação, mas por não nos enquadrarmos nos seus critérios, criámos a nossa há bem pouco tempo, apesar da equipa da Guarda ter cerca de dois anos. Decidimos criar os nossos critérios para a zona da Guarda. P – E quais são esses critérios? R – Na Guarda, infelizmente, somos um dos distritos com mais pessoas desaparecidas e principalmente pessoas com doenças como a Alzheimer. Foi isso que despertou o nosso interesse e, por incrível que pareça, das pessoas que desapareceram em 2022, 5 por cento não chegaram a aparecer. Isso é que despertou o nosso interesse em ajudar as autoridades – que já são compostas por muitas pessoas e mesmo assim nem sempre são bem-sucedidas. Quanto mais ajuda melhor, seja da nossa associação ou de outras. Na altura do Noah, em Idanha-a-Nova, onde andavam os bombeiros, a Proteção Civil, a GNR e civis… também fomos para as buscas como civis e surgiu o nosso interesse em ajudar. E agora com pessoas formadas é diferente. P – Em termos de números, quantas pessoas desapareceram na Guarda este ano? R – No distrito da Guarda, pelo conhecimento que temos, desapareceram 35 pessoas. É bastante. Quanto mais reduzido for o número, melhor. É sinal que a prevenção também se está a fazer melhor. P – Quais têm sido as principais dificuldades que a Associação tem encontrado? R – Não podemos dizer que temos problemas. Toda a gente tem despesas e a associação também. Não nos podemos queixar porque as pessoas têm-nos ajudado, mas numa fase inicial, em que é preciso comprar fardamentos e material, sim precisamos de ajuda. P – E de que forma as pessoas podem ajudar/contribuir? R – Temos as nossas redes sociais onde partilhámos o NIB da associação. Temos fichas de sócios em que as pessoas se podem inscrever como sócios para nos ajudar e estamos em conversações com alguns municípios para ver se, futuramente, nos podem ajudar. P – Qual é a sensação quando resgatam alguém? R – Sentimos vontade por termos criado esta associação. Vontade de ajudar o próximo e estarmos disponíveis a tempo inteiro, apesar de sermos voluntários. P – Como gerem o tempo entre o emprego e a associação? R – Toda a gente trabalha e tem horários para cumprir. Mas a vontade de ajudar o próximo é tão grande que a maioria das vezes deixamos o nosso trabalho de lado para poder ir ajudar. Temos horário para ir, quando somos solicitados, mas não temos horas para voltar… O que muitas vezes faz com que os nossos operacionais cheguem atrasados ao trabalho ou acabem mesmo por faltar. P – E para o futuro, quais são as expetativas? R – O futuro é sempre para crescer. Temos as portas abertas a mais operacionais como voluntários. Quantos mais formos melhor se vai efetuar o trabalho no terreno, por isso a nossa perspetiva é sempre para melhorar. A nossa intenção é dar a conhecer a associação, principalmente no distrito da Guarda, apesar de podermos atuar a nível nacional. Mas queremos dar a conhecer a associação para as pessoas saberem que podem contar connosco – os cidadãos, os municípios e as restantes entidades. ___________________________________________________________________ IGOR CARDOSO Idade: 35 anos Naturalidade: Castelo Branco Profissão: Produtor de eventos Currículo: Segurança, Bombeiro, produtor de eventos, formador Livro preferido: “As Valquìrias” de Paulo Coelho Filme preferido: “Código Da Vinci” Hobbies: Passeios TT, Natação, Viajar

Sobre o autor

Efigénia Marques

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