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Uma escolha fácil

Crónica Política

” Peço aos que têm pouco, aos que sabem que custa muito ganhar o pouco que têm, que não entreguem a gestão do país a quem já provou não o saber fazer”.

Santana Lopes, parece ter recuperado finalmente a lucidez. A convicção e a humildade com que proferiu tão sábias e certeiras palavras, fazem-nos acreditar que o delírio em que o vimos mergulhado durante os últimos meses, haveria de passar algum dia. Ainda bem para nós, mas sobretudo para ele.

Por amor a Portugal, reconheceu publicamente o falhanço da sua governação e fez apelo ao voto na competência representada no seu mais directo adversário.

Obviamente vou seguir o seu conselho e espero que grande parte dos militantes do PSD faça como eu.

Na verdade, é muita dura a decisão que estes terão que tomar: escolher entre a sobrevivência de um líder que a médio prazo lhes destruirá o partido, como intimamente sabem, ou a vitória maioritária do partido adversário.

Os militantes sociais democratas são nestas eleições confrontados com um dilema diabólico: votar em Santana pode contribuir para que este atinja a fasquia dos 30% e assim poder proclamar-se como sobrevivente apesar das facadas nas costas; votar em Sócrates será ajudar à obtenção de uma maioria que pode afastar o PSD da governação durante os próximos oito anos.

Na primeira opção, satisfarão momentaneamente o ego militante, mas sabem que, a breve trecho, a manutenção de Santana como líder (e de alguma desbocada “santanete” local…) levará a irremediáveis fracturas e ao fim do actual PPD/PSD.

Por outro lado, não é crível que Cavaco Silva possa sonhar em retomar o seu percurso político sem que Santana sofra uma irrefutável e humilhante derrota que o afaste definitivamente do palco político a partir da noite do próximo domingo.

Na segunda hipótese, votando PS, estarão eventualmente a cooperar na obtenção de uma maioria de governo que, por razões de afectividade partidária, não desejam, mas que o estado do país impõe como única solução viável.

Surgem ainda opções variantes: a abstenção, o voto branco e a votação em pequenos partidos, mas estas não habilitam necessariamente a nenhuma das soluções desejadas, afastar Santana para reconstruir o PPD/PSD e obter a estabilidade governativa do país.

Que fazer?

Felizmente sou do PS e tenho a vida facilitada, sem dilemas votarei naquilo que, neste momento, é o interesse nacional. Votarei pela única maioria possível para relançar o país e retomar o crescimento económico.

Aos militantes do PSD cabe a escolha difícil: vão pensar a curto ou a longo prazo? Vão pensar no futuro do seu partido e do seu país ou apenas deixar-se embalar pela estratégia vitimizadora do ” menino guerreiro ” que a nada conduzirá?

Há na vida conflitos entre aquilo que gostaríamos de fazer e aquilo que deve ser feito.

É esta a condição dos militantes do PSD no próximo acto eleitoral. Para eles a minha compreensão, na certeza de que, neste momento, votar PS é apoiar um regresso do seu partido à social democracia e evitar a proscrição política do seu mais emblemático líder ainda vivo.

Afinal, a decisão acaba por ser simples…

Por: Rita Cunha Mendes

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