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Trabalhadores da Gartêxtil protestam amanhã no IP5

Marcha lenta vai realizar-se dado não haver respostas de viabilidade da empresa de confecção da Guarda-Gare

Os cerca de 190 trabalhadores da Gartêxtil deverão amanhã sair à rua e realizar uma marcha lenta no IP5, entre a Guarda e Vilar Formoso. O encontro está marcado para as 10 horas junto às instalações da empresa, na Guarda-Gare, seguindo a “procissão” até à fronteira, como forma de «sensibilizar» os muitos utilizadores de uma das principais portas de entrada do país e alertar a comunidade internacional para «a falta de condições para se trabalhar em Portugal». Depois de um adiamento, devido ao período de férias em que muitos ex-trabalhadores e outros intervenientes no processo se encontravam no último dia 5 (primeira data marcada para a acção), Carlos João, dirigente do Sindicato Têxtil da Beira Alta (STBA), espera agora que o protesto conte com «uma boa representação». Para facilitar a adesão de todos os trabalhadores, que no plenário realizado no passado dia 1, deram alguns sinais de que não iriam lutar por uma causa que parece perdida, a direcção do STBA acabou por reconhecer que a marcha lenta implica gastos de combustível e decidiu propor que os participantes não paguem quotas sindicais nos próximos quatro meses. É que, mesmo em casa, os trabalhadores continuam a pagar as quotas «voluntariamente», revela Carlos João, elogiando a posição tomada pela direcção do sindicato que dirige para com os operários. A certeza de que a marcha lenta se vai mesmo realizar é dada a “O Interior” pelo sindicalista como forma de contestação à falta de respostas por parte das entidades directamente ligadas ao moroso processo da Gartêxtil. Entidades a quem foram enviadas as conclusões do último plenário, onde estavam especificadas a marcha lenta e as outras formas de luta que estão na forja, mas das quais os 190 trabalhadores não obtiveram qualquer resposta. Entre elas está o Governo Civil da Guarda, o SIRME – Sistema de Incentivos à Recuperação de Médias Empresas, o Ministério da Economia, a Caixa Geral de Depósitos (principal credora da Gartêxtil) e os quatro deputados na Assembleia da República pelo círculo da Guarda. «Ninguém respondeu», lamenta Carlos João, que apesar disso, deixa o «desafio» a Fernando Cabral, Pina Moura, Ana Manso e Fernando Lopes para acompanharem os trabalhadores na iniciativa de amanhã.

É também amanhã, no final da marcha lenta, que o Sindicato Têxtil da Beira Alta vai tornar públicas mais duas formas de luta planeadas desde o penúltimo plenário: uma frente à CGD e outra frente ao Governo Civil. Quanto à primeira, ainda está por definir se será uma vigília ou outro tipo de acção, enquanto que na segunda os trabalhadores irão mesmo acampar junto ao Governo Civil, mas ainda sem data definida. Recorde-se que a situação da empresa de confecções da Guarda-Gare continua por resolver há quase ano e meio, desconhecendo-se desde Maio de 2002 o futuro dos seus trabalhadores. A grande maioria das pessoas está no desemprego, enquanto outras vivem uma situação indefinida depois de terem suspendido o contrato de trabalho na esperança de que algumas promessas se cumprissem. A verdade é que pouco ou nada mudou. Carlos João considera que os trabalhadores da Gartêxtil andam «a ser enganados há muito tempo», lembrando que as várias propostas de aquisição por outras empresas nunca chegaram a concretizar-se.

Rita Lopes

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