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Sinais do Tempo

O País que temos (1)

Não tenho nada contra a ASAE, pelo contrário, desde a sua formação sinto-me muito mais seguro quando como em restaurantes ou quando tomo a bica distraidamente num café, ou mesmo quando compro uma camisa. Sei que os produtos são ultra seguros, não são de contrafacção e que o chouriço e o queijo embora com menos sabor ou aroma não me causarão doença aguda. Os ataques de que esta instituição tem sido alvo fácil, são injustos. Obviamente que para cumprir há que definir objectivos, ora como a ASAE nada produz de palpável, então surgem uns documentos que o seu dirigente máximo finge desconhecer mas que regem a missão da entidade do Estado. O dirigente máximo da ASAE por lá vai continuar mesmo quando finge desconhecer documentos de orientação com definição de objectivos. Esperemos que para os atingir não seja necessário pagar horas extraordinárias ou entupir ainda mais os tribunais.

O País que temos (2)

Os combustíveis continuam a subir de preço e de cada vez que abastecemos ficamos com aquela sensação de que a culpa é do motor, que anda desafinado e com consumo excessivo. Este ano já aumentou vinte vezes. Todos percebemos que o petróleo é um “bem” escasso e finito, que a guerra do Iraque em nada ajudou, que os mercados de capital estão em pseudo crise, blá blá blá … Mas não percebemos as razões que levam as companhias petrolíferas a imputar de imediato os aumentos na gasolina que consumimos porque o petróleo que lhe deu origem não foi comprado hoje, ou será que a Galp não o vai armazenando? Provavelmente compraram-no só ontem. Ou seja as companhias continuam a apresentar lucros fabulosos porque nós continuamos a pagar e o Estado, embora o consumo tenha diminuído, não deve dar pela diferença porque as receitas dos impostos funcionam em percentagem de um valor que cada vez é mais alto. O Presidente da República chama a isto especulação, eu chamar-lhe-ia outra coisa. Só temos duas alternativas ou deixamos de consumir ou reduzimos o consumo. Ambas só trariam benefícios ao ambiente e às nossas economias. Na internet anuncia-se um desafio de greve aos postos de abastecimento das três principais companhias petrolíferas, como forma de protesto. Até acho boa ideia, se a complementarmos deixando o carro em casa ao domingo e aos feriados, por exemplo.

O País que temos (3)

O Ministro Mário Lino, de armas e bagagens foi ao Porto, inaugurar 750 metros de linha do “metro”, é verdade, não me enganei, foram mesmo 750 metros. Por este caminho teremos muitos ministros a deslocarem-se ao Porto nos próximos cem anos. Deixemo-nos de apartes maldosos, porque o homem estava satisfeito e acompanhado pelos Presidentes de Câmara do Grande Porto. Deixaram de o abordar acerca do aeroporto e do TGV, o que eu acho uma pena, porque sempre ia dando para contar algumas anedotas. Aliás nota-se que as coisas agora são mais a sério e lá foi aproveitando para avisar que podem protestar à vontade mas as SCUT do norte vão começar a pagar portagens. As do Interior virão a seguir. Mas eu até acho bem. Quem se porta bem do ponto de vista ambiental e anda de comboio ou a pé não tem que pagar dos seus impostos a comodidade dos outros. O Estado solidário tem limites e tem ainda muitas pontes e vias rápidas para pagar na capital do país.

O País que temos (4)

Preparem as goelas, as grades de cerveja, os sofás, o cachecol e as bandeiras. Aí vamos de novo com os nossos heróis mergulhar no sonho de conquistar um título europeu. Por alguns dias esqueçamos a gasolina, os governantes, a ASAE e todos os outros instrumentos de bem-estar. Teremos o Ronaldo ou o Ricardo, ou o Nuno Gomes e até o Scolari como alvos da nossa ira se algo correr mal.

Por: João Santiago Correia

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