Arquivo

«Se a Delphi fechar será um duro golpe para o comércio da Estação»

Cara a Cara – Entrevista

P – Com que objectivo foi criado o Condomínio Comercial da Estação?

R – A Guarda já tem uma certa dinâmica em termos de comércio, embora a zona da Estação tenha vindo a destacar-se desde há alguns anos. A ideia do Condomínio da Estação acaba por ter como objectivo valorizar os comerciantes desta zona da cidade.

P – Qual vai ser a primeira acção que a implementar enquanto director?

R – A primeira aposta será fazer um levantamento de todos os estabelecimentos comerciais que integram o Condomínio Comercial da Estação e contactar com os comerciantes directamente, nem que seja só para lhes dizer que estamos aqui e saber quais são os seus problemas e perspectivas.

P – Que projectos estão previstos pelo condomínio?

R – Quero que haja uma coesão e que os associados do Condomínio da Estação sintam que têm alguém que os apoia. A maior parte dos problemas dos nossos associados é a falta de informação relativamente à actualização de normas, pelo que pretendemos ajudá-los a adequarem-se às novidades do sector. O associado tem que ter uma retaguarda que o proteja, se não tiver não faz sentido que a Associação Comercial da Guarda exista. E se eu não conseguir passar essa imagem também não faz sentido que o Condomínio Comercial exista. Depois há um projecto de identificação de todos os associados do Condomínio da Estação e isso passa por uma ligação com um gestor urbano, porque quero que haja uma identificação dos associados, daquilo que vendem e onde estão.

P – Acha que a zona da Estação tem sido “esquecida” pela Associação Comercial da Guarda?

R – Acho que sim. Tem todo o direito de se sentir abandonada, porque conheço a maior parte dos seus comerciantes – eu próprio já tive um estabelecimento na Estação – e nunca ninguém da Associação Comercial apareceu para falar comigo. Só vinham cobrar as quotas e é essa a imagem que a maior parte das pessoas têm da ACG. Este condomínio surge, também, no sentido de apoiar os comerciantes locais, dizer-lhes que estamos aqui e, essencialmente, para que haja uma parceria social entre associados e Associação Comercial. Agora temos que ser virtuosos em ideias e tentar concretizar alguma sem contar com dinheiro. Na Guarda tem-se feito tanto espectáculo, porque é que a Estação nunca recebeu nenhum evento? Quero trazer mais coisas para a Estação e tentar que seja uma parte da cidade.

P – O aparecimento de grandes superfícies comerciais na Avenida de S. Miguel poderá ser prejudicial para o comércio tradicional?

R – Sabemos que toda esta área acabará por ter grandes superfícies, e enquanto director tenho que defender o comércio tradicional. Mas sou positivo e acho que todos acabarão por ganhar, porque a Guarda tem um grande problema, nomeadamente o da desertificação aos fins-de-semana, em que os seus habitantes vão para os centros comerciais. Mas as pessoas em busca dos grandes centros comerciais acabam também por povoar tudo em seu redor e há que tirar algum partido da criação destes espaços. Os comerciantes da Guarda têm que crescer e adequarem-se aos dias de hoje. Custa-me muito andar na cidade ao sábado à tarde e ver 90 por cento do comércio fechado.

P – Os despedimentos previstos na Delphi poderão afectar o comércio daquela zona?

R – Vai afectar certamente. Se a Delphi fechar será um duro golpe para o comércio da Estação, mas as instalações são muito valiosas e espero que alguém pegue naquilo e crie postos de trabalho mesmo que em número inferior.

Sobre o autor

Leave a Reply