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Refugiados de Calais amontoam-se nas ruas de Paris

Milhares de tendas e colchões amontoam-se pelas ruas da “cidade luz”, capital de França, que hoje mais parece uma favela a céu aberto. Ao longo da Avenida Flandre, em Paris, perto das estações de metro Stalingrad e Jaurès, ao pé do Parque de La Villette, e também no canal Saint-Martin, estimam-se que estejam concentradas pelo menos 3.000 pessoas, a maioria vinda do campo de refugiados de Calais. A câmara de Paris instalou já casas-de-banho e torneiras nestas zonas, para que tenham acesso a água potável.

Esta semana, foram retirados 5.596 migrantes da “Selva”, o nome dado ao acampamento de Calais, e foram enviados 234 menores para o Reino Unido. O governo francês distribuiu parte dos refugiados por centros de Acolhimento e Orientação um pouco por todo o país. Mas muitos refugiados tentaram contornar as autoridades, preferindo ficar em Paris, a fim de regressar a Calais mais tarde e tentar a entrada (ilegal) em Inglaterra. Outros evitam os centros de acolhimento porque temem ser expulsos e enviados de volta ao país por onde entraram na Europa, como Grécia e Itália. A maioria é Afegã, da Eritreia, Somali ou do Chade. No último ano, cerca de 30 acampamento deste género já foram desmontados na cidade, a grande maioria na zona norte. Em setembro, 2000 pessoas foram retiradas do local onde hoje há um novo acampamento. E desde o agravamento da crise humanitária, entre 50 a 80 imigrantes chegam diariamente a Paris, segundo o governo francês.

Esta passada sexta-feira, uma operação policial organizou-se para verificar a situação administrativa das pessoas nestes acampamentos improvisados. Para Florence Roy, que há dois anos ajuda os imigrantes e se encontra a realizar um documentário sobre o drama humanitário, é evidente o aumento do volume de refugiados com o desmantelamento do campo de Calais. O número de refeições cresceu nos últimos dias. “Há dois anos que esta área é uma vergonha”, afirmou. “O acampamento foi aumentando progressivamente, e nos últimos seis meses há cada vez mais gente. Isto aqui é uma mini-Calais. É uma catástrofe humanitária”.

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