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«PS precisa de uma radical alteração de rumo na Guarda»

José Martins Igreja critica carreirismo político e acusa Federação de actuação política «muito débil»

José Martins Igreja recusa a ideia de ser o candidato de José Sócrates à Federação da Guarda do PS, considerando-a uma «vaidade ilegítima» da sua parte. Contudo, garante que o facto de ter sido um apoiante «da primeira linha» do actual secretário-geral nas directas para a liderança do partido é «um trunfo pesado» na sua balança. «Já o meu adversário não sabe bem de que lado é que esteve», recorda. A mensagem é clara: quem tem Sócrates vai ter tudo nas eleições para a distrital socialista. E Fernando Cabral, actual líder e deputado, já parte com muita desvantagem.

O advogado, presidente da Assembleia Municipal da Guarda nos últimos 12 anos e actual presidente da Assembleia de Freguesia da Sé, apresentou-se à comunicação social na passada sexta-feira. Foi no seu escritório, mas podia ser em sua casa, rodeado de livros, discos e quadros. José Martins Igreja quer mostrar-se «tal qual é na vida» e acabar com a imagem dos políticos desligados da sociedade e mais interessados no carreirismo político. A sua primeira crítica à actual direcção da Federação. Sem particularizar, o candidato, de 51 anos, com escritório na cidade desde 1980, constata que a grande maioria dos dirigentes ocupam as chefias dos organismos desconcentrados do Estado na Guarda. O que não é um bom exemplo: «Eu estive sempre na política de forma gratuita e acho que é preciso eliminar essa ideia dos “tachos”. Até porque quem lá está tem competência suficiente para não necessitar desses cargos públicos», admite. O estilo “uma no cravo, outra na ferradura” prossegue quando garante não querer ser deputado, nem ocupar tão pouco um «lugarzinho» na administração pública. «Estou cá para reorganizar as concelhias, a JS e criar uma estrutura das mulheres do PS, para que estejamos preparados para ganhar as próximas autárquicas».

O passado parece ser outro aliado: «Há 12 anos o PS tinha sete Câmaras. Com o tempo, ondulou entre as três, duas e quatro, mas essas vitórias ficaram a dever-se mais à classe e nível dos presidentes do que ao mérito dos responsáveis da Federação», sublinha. O mesmo desmérito é empunhado para falar de várias concelhias «moribundas» e de «falta de dinâmica» dos responsáveis distritais. Feito o diagnóstico, a terapia é lapidar: «A Federação tem tido uma actuação muito débil, pelo que merece um momento de radical alteração de rumo», defende, prometendo uma equipa disposta a trabalhar em prol do distrito com «muita força, qualidade e renovação». Tanto mais que o PS tem muita gente qualificada para além da «meia-dúzia de pessoas que estamos habituados a ver sempre nos mesmos lugares», sustenta. José Martins Igreja também se considera um deles, mas de maneira diferente já que esteve sempre em lugares públicos de eleição e sem remuneração. «O que é um pouco diferente de outros», critica, admitindo que chegou o momento de alterar esse panorama do PS na Guarda. Os elementos da sua lista deverão ser anunciados amanhã, após uma reunião com representantes de todas as concelhias. «Naturalmente que 10 por cento da lista de Fernando Cabral ficaria bem na minha. Mas seguramente que ele gostaria de ter 90 por cento dos meus apoiantes na sua lista», ironiza. Por isso, José Martins Igreja anuncia que o seu elenco vai ser de ruptura, «mas sem ser radical», porque este é «um combate com adversários e não com inimigos», recordando a amizade com o seu adversário.

Luis Martins

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