Arquivo

Pisar com sapatos sem salto

Resposta a “Direito de Resposta do Vice-Presidente da Câmara da Guarda”

A resposta é nada, absolutamente nada.

Senhor advogado, Vice-Presidente da Câmara Municipal da Guarda (CMG), não ficou claro em que qualidade exerceu o seu direito de resposta à Crónica Politica “Há ou não uma relação promíscua da advocacia com o poder local?”, da minha autoria e publicada na edição de 17 de março de 2016 de O INTERIOR.

Assim esclareça:

1. O Senhor é advogado na CMG?

2. O Senhor é Vice-Presidente na CMG?

3. O Senhor é Vereador eleito e exerce a qualidade de Vice-Presidente da CMG?

4. O Senhor é simplesmente advogado e usa o domicílio profissional no Município da Guarda?

Repare-se, o título da Crónica Politica, da minha autoria, é “Há ou não uma relação promíscua da advocacia com o poder local?”. E o Senhor apresenta-se, na edição de 24 de março de 2016, como “Carlos Chaves Monteiro, advogado, com domicílio profissional no Município da Guarda, vem, nos termos da Lei de Imprensa, exercer o direito de resposta….”. Agora repare o Senhor…. FICA ASSIM CLARO, NA FORMA COMO SE IDENTIFICA, A RESPOSTA AO TITULO DA CRÓNICA…. Ou não?

Para todos, mas especialmente para o Senhor advogado com funções públicas de Vice-Presidente, existe uma linha imaginária que nunca deve ser ultrapassada, se realmente quer ser educado e agradável, como se exige a quem exerce funções públicas, por via do escrutínio do voto, mas parece não ter esse respeito ou essa educação.

A linguagem jocosa que habita no texto que escreveu, para exercer o direito de resposta, é moralmente destacada. A elegância e a postura, entre outras, não são coisas que pareçam ter grande valor. Mas têm, precisamente quando o que está em causa são as relações com o outro e os protagonistas são pessoas que desempenham funções de importância relevante.

Se houve desmesura de linguagem tal deve ser justamente apurado e, naturalmente, devidamente ponderado e decidido em conformidade. Neste contexto pergunto eu – Não usou o Senhor advogado, Vice-Presidente da CMG, o uso de difamação e calúnia para com a cidadã da Guarda que, no uso das suas competências como eleito, deverá respeitar em máxima estância? Assim se verá! Como sabe, ou deveria saber, todos os cidadãos da Guarda se devem rever neste trato. Por outro lado, talvez o MP tenha interesse na matéria, da qual o informa, para que possa auxiliar na transparência.

A liberdade é, Senhor advogado Vice-Presidente da CMG, efetivamente a razão de ser da democracia. E a liberdade de expressão é a sua via de efectivação e a concretização suprema da cidadania. Todo o regime democrático que não consegue conviver com a liberdade de expressão, o pluralismo… Não conseguirá nunca ser democrático…. O que seria uma deplorável contradição nos termos, como sabe Senhor advogado Vice-Presidente da CMG, e, neste pressuposto, asseguro que não está no lugar certo, por isso, demita-se! O senhor não está preparado para o escrutínio público.

É bem conhecida a frase de Confúcio, “humildade é a única base sólida de todas as virtudes. Não corrigir as nossas faltas é o mesmo que cometer novos erros”. Nesta verdade, seria oportuno que se corrija, pois, o Senhor não está “preso” enquanto guardense, tal como afirma na sua jocosa carta, ao referir que, ”Como guardense que me preso de ser, com honra e dignidade” (deverá conjugar melhor o verbo “prezar”, o que para um advogado, Vice-Presidente do meu Município, considero uma vergonha) ou então o Senhor está efetivamente “preso”, isto é, inibido da sua liberdade através do exercício das suas funções…, porém a Guarda prezará MUITO em saber a VERDADE que o Senhor se esqueceu de responder. Assim, responda:

Há ou não há empresas que são hoje fornecedores da Câmara da Guarda e que são clientes da sociedade denominada de CARLOS CHAVES MONTEIRO, ANGELA GUERRA & ASSOCIADOS, SOCIEDADE DE ADVOGADOS, RL, situada na Rua do encontro nº 9,m, 3ª, criada em outubro de 2012, segundo consta in http://www.einforma.pt/servlet/app/portal/ENTP/prod/ETIQUETA_EMPRESA/nif/510348041,

A Guarda quer saber.

Por: Cláudia Teixeira

Comentários dos nossos leitores
João Lopesjoao.lopes66@hotmail.com
Comentário:
Quando li a crónica intitulada “Pisar com sapatos sem salto” tive a nítida sensação de já ter lido algo muito parecido, se não igual. Mas parecia-me impossível o risco que a cronista assumia num jornal de tiragem regional. Obrigado ao leitor António Silva pela oportunidade do seu esclarecimento. É assim que se faz opinião pública!
 
Maria MendonçaMariamendonca@protonmail.com
Comentário:
No próximo capítulo o Dr. Carlos pede, à Sra. D. Cláudia para se corrigir, alterando a palavra estância por instância que é a palavra correta (eu como leitora também acho vergonhoso). Minha Sra. corrija-se! Português traiçoeiro!!
 
Antonio Silvaapint.edu@gmail.com
Comentário:
O Miguel escreveu isto com outro sentido, o original é sempre melhor que a cópia “1. A linguagem jocosa que habita as bocas de tanta gente que ocupa lugares pedagógica e moralmente destacados, tem vindo, ao que parece, a proliferar. A elegância e a postura, entre outras, não são coisas que pareçam ter grande valor. Mas têm, precisamente quando o que está em causa são as relações com o outro e os protagonistas são pessoas que desempenham funções modelares de importância transcendente. Se houve desmesura de linguagem, tal deve ser justamente apurado e, naturalmente, devidamente ponderado e decidido em conformidade. 2. A liberdade é, efectivamente, a razão de ser da democracia. E a liberdade de expressão é a sua via de efectivação e a concretização suprema da cidadania. Todo o regime democrático que não consegue conviver com a liberdade de expressão, o pluralismo… (mesmo de homens livres que ocupam funções públicas!) não conseguirá nunca ser democrático — o que seria uma deplorável contradição nos termos! Em suma: preserve-se e exerça-se a verdadeira liberdade ou… não dêem razão aos defensores da censura!” http://miguelblogportugal.blogspot.pt/2007/05/linguagem-jocosa-versus-liberdade-de.html
 

Sobre o autor

Deixe comentário