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Pedro Dias em prisão de alta segurança

Suspeito dos crimes de Aguiar da Beira foi presente a tribunal na Guarda e está acusado de dois crimes de homicídio qualificado, três de homicídio qualificado na forma tentada, três de sequestro e um de roubo

Pedro Dias, suspeito dos homicídios de Aguiar da Beira, foi transferido para a cadeia de alta segurança de Monsanto, em Lisboa, na sexta-feira por ser considerado perigoso e por as autoridades considerarem que há risco de fuga.

É que no Estabelecimento Prisional da Guarda o alegado homicida de um militar da GNR e de um civil teria que partilhar cela e poderia ser considerado «um herói» para os outros reclusos devido aos 28 dias em que andou foragido. Tal já não será possível em Monsanto, onde “Piloto” vai ficar 22 horas na cela, terá movimentações e visitas restritas e não vai conviver com outros presos. A prisão da capital está classificada como de segurança máxima e, segundo o último relatório de atividades da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), está vocacionada para «responder às exigências de segurança, designadamente à criminalidade violenta e organizada, bem como a certas categorias de reclusos cujo comportamento é suscetível de criar situações graves para a segurança do Sistema Prisional e da própria comunidade reclusa». Pedro Dias, de 44 anos, está acusado da autoria material de dois crimes de homicídio qualificado, três de homicídio qualificado na forma tentada, três de sequestro e um de roubo.

O suspeito entregou-se à PJ no dia 8 em Arouca, tendo sido encaminhado para o Estabelecimento Prisional da Guarda nessa noite. Dois dias depois foi presente ao juiz de instrução criminal do tribunal da cidade, onde entrou sob gritos de “assassino” por parte de uma dezena de populares, contidos por um contingente policial reforçado. Pedro Dias não prestou declarações e deixou as instalações ao princípio dessa noite – por uma porta lateral – já na qualidade de arguido e sujeito à medida de coação mais gravosa, a da prisão preventiva «dado o elevado perigo de fuga, continuação da atividade criminosa, perturbação do inquérito» e «alarme social», segundo informou a escrivã da instância local cível, Isabel Mota. Pedro Dias ficou ainda proibido de contactos com determinadas pessoas.

Os seus advogados anunciaram que iriam recorrer da medida de coação para o Tribunal da Relação de Coimbra. «O despacho da aplicação das medidas de coação foi lido, portanto, quando tivermos acesso ao despacho, depois, no seu tempo certo e na sede própria, iremos enquadrar e recorrer», disse aos jornalistas a advogada Mónica Quintela, segundo qual nesse dia começou «uma caminhada longa». «Pedro Dias está tranquilo de que se possa fazer justiça. Quando a defesa tiver acesso integral aos autos, o arguido falará na devida altura», acrescentou a jurista de Coimbra. O primeiro interrogatório judicial aconteceu 30 dias depois dos incidentes em Aguiar da Beira. O suspeito estava desaparecido desde 11 de outubro, data em que dois militares da GNR foram atingidos a tiro. Um morreu e um outro ficou ferido. Na mesma madrugada, um homem morreu e a mulher ficou gravemente ferida, também alvejados a tiro, na viatura em que seguiam. No âmbito das investigações, a PJ também constituiu arguida uma mulher, de 61 anos, sobre a qual recaem «fundadas suspeitas de favorecimento pessoal» a Pedro Dias.

Luis Martins Pedro Dias, aqui à chegada ao Tribunal da Guarda, é considerado perigoso pelas autoridades

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