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Futuro da Fiper aguarda planos de recuperação

Credores votaram pela suspensão e adiamento da assembleia para averiguar novas propostas de viabilização da empresa de fiação do Teixoso

O futuro da Fiper – Fiação S. Pedro, sediada no Teixoso (Covilhã) foi mais uma vez adiado na última segunda-feira, depois da assembleia de credores, que decorreu no Tribunal da Covilhã, ter sido suspensa e adiada para 9 de Novembro. A decisão foi tomada pela maioria dos credores, incluindo os 84 trabalhadores despedidos no início de Setembro, perante a possibilidade de um investidor estrangeiro vir a recuperar aquela unidade fabril.

Tal facto levou a que o principal objectivo da assembleia tenha sido adiado para outra sessão e que incidia sobre a aprovação ou reprovação do relatório elaborado pelo administrador judicial, que propõe a liquidação da empresa. Depois de ter verificado que a Fiper não possuía nenhuma hipoteca, nem penhora, nem dívidas aos trabalhadores, às Finanças ou à Segurança Social e uma contabilidade que «cumpria a lei», Rui Dias da Silva solicitou um parecer externo para apurar as causas do encerramento. A resposta centrou-se na dificuldade de fazer face à concorrência de mercados emergentes que tornavam impraticáveis os preços da Fiper, levando à acumulação das encomendas e dos prejuízos. Daí que o administrador judicial tenha defendido a inviabilidade económica da fábrica e proposto a venda do património para pagar a todos os credores, afirmando mesmo que «não é viável um plano de insolvência». Todavia, nem a votação do relatório nem desta proposta foram avante, sobretudo depois de Francisco Pimentel, advogado da devedora, ter apresentado a proposta de uma terceira entidade interessada na unidade fabril.

Segundo o advogado, o investidor estrangeiro, uruguaio, está interessado desde Maio, altura em que terá proposto o pagamento de 20 por cento dos créditos aos credores. A intenção era fazer da Fiper um complemento do negócio que possui no seu país, também de confecções, revelou Francisco Pimentel, que chegou mesmo a propor aos trabalhadores começarem a laborar no dia seguinte, se assim o entendessem. É que o investidor comprometia-se, de acordo com a proposta entregue aos credores pouco antes da sessão começar, a pagar de imediato 15 por cento dos créditos às várias entidades bancárias credoras neste processo, e a totalidade aos trabalhadores com direitos até 6.500 euros. Os restantes receberiam apenas 75 por cento. Mas depois dos operários terem posto em causa a veracidade e credibilidade da proposta, o causídico avançou com uma segunda versão que garantia a liquidação total e imediata das dívidas aos funcionários com todos os direitos incluídos, o que suscitou ainda mais desconfiança.

Trabalhadores querem direitos assegurados

Todavia, o juiz que presidiu à sessão, Pedro Gama da Silva, considerou que a proposta não reunia as condições para se assumir como verdadeiro plano de insolvência capaz de recuperar a empresa. Por isso, solicitou que a referida proposta fosse devidamente reformulada e formalizada, bem como outras que possam surgir dentro dos próximos cinco dias úteis e que, segundo o administrador judicial, «até podem ser mais interessantes e vantajosas». Cabe depois aos credores avaliar e escolherem a 9 de Novembro a que considerarem mais capaz de assegurar os seus direitos. De referir que o património da Fiper, tanto em termos de equipamentos, como de imobiliário, é bastante atractivo, já que, como referiu o administrador judicial, «podia recomeçar a laborar já amanhã» graças à sua «excelente» maquinaria. Sem poder avaliar uma proposta que não está formalizada por escrito, Luís Garra explica que o que interessa aos trabalhadores é que sejam «assegurados integralmente os seus direitos e os seus créditos laborais», nos quais se inclui a totalidade da indemnização, que adquiriram depois de serem despedidos. Para o presidente do Sindicato Têxtil da Beira Baixa (STBB), a viabilidade da Fiper é «completamente» prioritária, tanto que é «perfeitamente compatível» os operários receberem o que têm direito e voltarem a trabalhar na empresa.

Selber sem futuro

Ao contrário da Fiper, a Selber não possui qualquer possibilidade de viabilização. Os cerca de 50 trabalhadores estão a ser despedidos e, segundo Luís Garra, não houve nenhuma proposta de recuperação da empresa de confecções, sediada em Belmonte, que encerrou portas no início deste mês. A agravar a situação está o facto da empresa não possuir património suficiente para assegurar o pagamento aos trabalhadores. «As instalações não são da empresa e as máquinas também não sei se o serão», refere o presidente do Sindicato Têxtil da Beira Baixa, para quem se trata de «mais uma empresa onde não pagar compensa», uma vez que não possui património para vender e indemnizar os trabalhadores. Segundo Luís Garra, o principal problema é que a Selber trabalhava em regime de subcontratação, sem mercado próprio, «a feitio do que lhe era dado» e «quem assim trabalha e não fez a viragem a tempo e horas dificilmente consegue combater a concorrência chinesa», garante.

Rita Lopes

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