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Fernando Girão substitui Isabel Garção no Hospital da Guarda

Ex-directora faz um balanço positivo destes três anos e garante que sai com a consciência «perfeitamente tranquila»

«Vou com a sensação do dever cumprido e com o melhor que pude e fui capaz de fazer, pondo a minha experiência ao serviço da instituição». Foi com estas palavras que Isabel Garção se despediu, na terça-feira, do Hospital da Guarda, que dirigiu nos últimos três anos. A ex-directora do Sousa Martins diz partir de consciência «perfeitamente tranquila», mas com a noção de que estes foram os anos «mais penosos da minha vida profissional». Fernando Girão e Luís Ferreira são os senhores que se seguem na presidência do Conselho de Administração e direcção clínica, respectivamente.

Em jeito de balanço, Isabel Garção confessou saber que vinha encontrar um hospital «difícil», onde «muita coisa ficou por fazer», mas o que foi feito, foi concretizado com «cabeça, tronco e membros». No entanto, não descura o facto da unidade continuar a ter «muitas» carências, também por culpa de «muitos bloqueios internos que condicionaram algumas soluções», admite. De regresso ao Hospital de Beja, onde mantém o lugar base de administradora de primeira classe, a ex-directora do Sousa Martins diz que encontrou um hospital com muitos problemas e «ainda se encontra com outros tantos», mas tem principalmente problemas de relacionamento e de falta de pessoal médico nalgumas valências. Por outro lado, chegou a um hospital «velho» cujas instalações precisavam ser remodeladas, mas, durante dois anos e meio, viveu na incerteza da construção de uma unidade de raíz ou de remodelação do actual. Perante tal cenário, Isabel Garção considera que a Guarda precisa mesmo de «instalações dignas», independentemente de ser um hospital novo ou requalificado. Por isso, procurou minimizar as carências nalguns sectores, sobretudo na Pediatria, Cuidados Intensivos e Radiologia.

Quanto ao primeiro serviço, a directora congratula-se com o facto de poder contar hoje com três médicos pediatras a residir na Guarda e mais um que virá durante o próximo mês de Agosto, deixando uma situação «sem percalços e com o problema resolvido», garante. Relativamente aos Cuidados Intensivos, a ex-responsável pelo Sousa Martins afirma que as dificuldades «sempre se puseram». E adianta que foi assinado no início da semana um contrato para que um médico, que está em situação de quase aposentação no Hospital de Viseu, possa vir desempenhar as suas funções na Guarda ao lado de Luísa Lopes, «ficando o problema também resolvido neste serviço». No que diz respeito à Radiologia, houve «muitos problemas e todos sabem a minha luta para manter o serviço», desabafa Garção, explicando que teve que «fazer finca pé» para que o TAC começasse a funcionar. Neste momento, dos mais de 300 exames efectuados sistematicamente na CEDIR a nível de TAC’s, «mais de metade são agora feitos cá», afirma. Para tal, terá contribuído a vinda de um médico ao sábado e domingo que, no mês passado, conseguiu reduzir os TAC’s feitos na CEDIR para 42. «Há, portanto, uma utilização muito mais premente e temos feito contratos com empresas de radiologia para que a telemedicina seja cada vez mais utilizada», diz Isabel Garção, que pensa ter, a curto prazo, o problema daquele serviço também solucionado.

Quanto ao número de médicos internos, ele aumentou, em termos gerais, de 74 para 94. A ex-directora cessante falou ainda das obras de recuperação na Cardiologia (cujo custo ascende aos 400 mil euros) e Pneumologia (78 mil euros). E lembra a recente abertura do Recobro Operatório, que é «condição vital» para a qualidade das valências cirúrgicas. A terminar, diz que o hospital deve ter valências com mais de um médico para garantir o funcionamento nas férias e nos fins-de-semana, como é o caso da Neurologia, Gatroentrologia, Fisitaria e Patologia Clínica. Reduzir as listas de espera foi outra «batalha ganha», sustentou Isabel Garção, que garante que o serviço com maior número de doentes é a Oftalmologia, onde há 1.500 pacientes com um ano de espera. Destaca ainda a abertura do bloco de Obstetrícia e o apoio dado à UMO e a VMER nos anos «mais difíceis, em termos de apoios financeiros, da minha vida». Ainda assim, garante que a produtividade do hospital aumentou.

Rita Lopes

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