Arquivo

Exame a grávida que perdeu bebé nas Urgências do Hospital da Guarda desapareceu

PJ já teve acesso às imagens de videovigilância que vão ajudar a determinar o tempo de espera da mãe pelo obstetra

Quinze dias depois da tragédia há uma demissão, exames desaparecidos e muitas suspeitas por esclarecer sobre o que aconteceu na Urgência Pediátrica do Hospital Sousa Martins no passado 16 de fevereiro.

Nessa manhã, Cláudia Costa, de 39 anos, que tinha o parto por cesariana previsto para dia 27 desse mês, chegou à unidade com uma hemorragia mas esteve, alegadamente, à espera do médico mais de hora e meia. A bebé acabou por morrer na barriga da mãe. O caso já está a ser investigado pelo Ministério Público (MP) e pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), mas na semana passada motivou a demissão do pediatra António Mendes do cargo de diretor do Departamento de Saúde Materno-Infantil da unidade guardense. A resignação aconteceu dois dias depois de ter sido interrogado pelos instrutores internos que conduzem o inquérito aberto pela IGAS. Mas há outro problema. É que desapareceram os registos cardiotocográficos – que medem a frequência cardíaca fetal e as contrações uterinas – feitos nas urgências à grávida que perdeu a bebé às 37 semanas de gestação. O sucedido já foi participado pela Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda ao Ministério Público.

Ao que O INTERIOR apurou, este exame, realizado quatro minutos depois de Cláudia Costa ter dado entrada na Urgência, é fundamental para perceber se a bebé ainda estava viva quando a mãe chegou ao hospital. Os registos permitirão ainda determinar se houve negligência, uma vez que a grávida terá esperado hora e meia pelo obstetra de serviço. Também o exame efetuado no dia anterior (15 de fevereiro) pela mulher terá desaparecido. Confrontado com estes casos, o presidente do Conselho de Administração da ULS confirmou que os exames não foram encontrados nos serviços, situação que considerou «grave». «É um caso de polícia que deve ser investigado até às últimas consequências», afirmou Carlos Rodrigues, que também ordenou um inquérito interno para apurar responsabilidades pelo desaparecimento destes registos, aos quais «pelo menos oito pessoas tiveram acesso direto».

De resto, o responsável chega mesmo a dizer-se «vítima de uma cabala», pois admite que os exames terão sido ocultados «intencionalmente» com o objetivo de “fazer cai” a atual administração hospitalar, que está em gestão corrente desde o final de janeiro e à espera de ser substituída. Entretanto, a Polícia Judiciária já teve acesso às imagens de videovigilância da Urgência Pediátrica que vão ajudar a determinar o tempo de espera da mãe pelo obstetra.

Luis Martins Autoridades estão a investigar alegado crime de homicídio por negligência por alegada falta de assistência médica

Sobre o autor

Leave a Reply