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«Eu nasci no dia da cidade»

O dia é da cidade mas também é deles: são jovens, guardenses e nasceram no dia 27 de novembro. Sara, Micael, Tatiana e Patrícia aceitaram o desafio de O INTERIOR e contaram-nos as suas expetativas, o que mudavam e que “F” davam à Guarda.

F de Feliz

Sara Esteves

Nascida em 1991

«A cidade tem vindo a perder-se: as tradições ficam pelo caminho e até a neve teima em afastar-se», lamenta Sara Esteves, que nasceu em Famalicão da Serra há 22 anos e reside atualmente na cidade.

É ali que volta nos “intervalos” da licenciatura, pois frequenta o terceiro ano em Ciências da Comunicação na UBI (Covilhã). A vontade é regressar de vez, mas «gostar não chega; não há emprego nem oportunidades mesmo para quem quer ficar», refere a jovem. «É vista como um atraso quando tem tantos ou mais recursos do que as “grandes cidades” para explorar», lamenta. A calma e o facto de ser uma “aldeia” grande são os aspetos da cultura guardense que mais agradam a Sara. «Toda a gente se conhece», destaca. Já o Jardim José de Lemos e a Praça Velha são os locais de que mais gosta: «O jardim lembra-me as festas quando era pequena e as horas nos bancos ou na relva sem nada para fazer», evoca, acrescentando ainda o Parque Municipal «onde tão felizes andavam os patos».

A estudante entende que dinamizar a cidade e alocar projetos é fundamental para a «colocar no bom caminho», reiterando que esta «devia apostar nos jovens, no que tem de melhor e no que se perdeu e nos distinguia». Se pudesse acrescentar um novo F à Guarda seria o de “feliz”, pois «é uma cidade que deixa saudade mesmo a quem está só de passagem».

F de Faramundo

Micael Sanches

Nascido em 1986

Micael Sanches nasceu há 27 anos na Guarda, cidade onde ainda reside e que sempre o cativou: «Gosto do ambiente climatérico e social, é uma cidade simpática para se viver», considera o estudante de Desporto.

«De forma geral cativa as pessoas que a visitam pelos mais diversos motivos, seja pela componente histórica ou pelo bom acolhimento que os guardenses proporcionam», sublinha o instrutor de karaté da União de Karate Shokotan das Beiras. A fixação de empresas e os espaços verdes são, na sua opinião, dois aspetos que a cidade deve melhorar e também aproveitar. «A zona montanhosa em que se encontra é, por excelência, um bom local para se praticar diferentes tipos de desporto», sublinha o estudante. E se pudesse, Micael incentivaria a recuperação «dos edifícios históricos que se encontram em péssimo estado», bem como «uma logística de obras que minimizasse os gastos e incómodos, pois há estradas acabadas de alcatroar que não tardam a ser abertas».

Já a torre de menagem é espaço da Guarda que mais lhe “diz“, uma vez que «quando se sobe até lá tem-se aquela vista maravilhosa» da cidade onde o jovem quer descortinar o seu futuro. Quanto a um sexto “F”, Micael não hesita: «Faramundo, o que protege ou ampara a sua raça».

F de Fantástica

Tatiana Vila Real

Nascida em 1992

Tatiana Vila Real “trocou” a Guarda por São João da Pesqueira, onde trabalha como empregada de mesa. Mas a jovem, que completa 21 anos, não esquece a cidade que marcou o seu crescimento e até a própria identidade.

Depois de forte, farta, fria, fiel e formosa, o novo “F” que sugere deveria ser «fantástica, porque quem souber descobrir a Guarda apercebe-se de que é uma caixinha de surpresas», justifica Tatiana. E, apesar de estar a cerca de 88 quilómetros de distância, o desejo é regressar: «Faço intenções de voltar o mais depressa possível, pois gosto da tranquilidade que a cidade me transmite», afirma. Quando questionada acerca do que mais gosta na Guarda, a resposta é pronta: «Gosto de tudo; é pequena mas que tem muito para ver», considera a jovem, destacando «a paisagem vista do miradouro»: «É algo fantástico, como se estivéssemos no centro do mundo», descreve. Para tornar a Guarda melhor, Tatiana defende que «deveríamos valorizar mais o que é histórico, recuperar ruas e casas antigas e fazer disso um grande ponto turístico», sendo essencial «encher a cidade de jardins, pois as pessoas são mais felizes junto da natureza».

Quanto a locais de eleição, a guardense destaca o castelo e o Popis [Parque Urbano do Rio Diz]: «Não sei explicar porquê, mas já sorri muito aí», confessa.

F de Fascinante

Patrícia Santos

Nascida em 1992

Patrícia Santos reside e estuda na Guarda, mas não acredita que o seu futuro passe pela cidade que a viu nascer há 21 anos. «Não oferece condições de empregabilidade e a indústria ocupa cada vez menos espaço», lamenta a aluna de Enfermagem, acrescentando que «assisto ao corte de pessoal no hospital sem garantias de renovação ou alternativas».

O desfecho pode ser a emigração, apesar do «orgulho» que sente na Guarda pela sua «beleza inata e a toda a parte histórica, que lhe atribuem graciosidade e autenticidade», vinca a jovem, referindo ainda o «ambiente natural e a hospitalidade dos egitanienses». Ainda assim, «a cultura devia ser potencializada com eventos multiculturais em parceria com outros municípios, sendo a dinamização noturna também uma mais-valia», considera Patrícia. A futura enfermeira defende «um hospital que abarcasse os serviços do antigo e eventualmente outros», lembrando que «foi despendido um grande valor no novo hospital». Quanto à educação, «teria aceite a construção de uma universidade aquando da sua proposta», afirma. Um novo “F” seria “fascinante”, servindo de exemplo a Sé, um dos seus locais favoritos «por ser um elemento emblemático». Mas também a Escola Superior de Saúde tem «muito significado» para Patrícia Santos.

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