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Basta!

Crónica Política

As várias cambalhotas políticas do PS para descolar da matriz ideológica que inscreve e acentua no pacto de agressão, este “cozinhado” pelas troikas, de dentro e fora. Mais ainda na incoerência do seu percurso, quando apregoa um matiz de esquerda.

Vocifera contra o corte de 4.000 milhões de euros nas funções sociais do Estado, no entanto esquece que foi cúmplice no corte de 14.000 milhões desde as funções sociais do Estado, aos salários dos trabalhadores, ao subsídio dos desempregados, enfim, a quem trabalha, não esquecendo quem recebe, fruto do direito no âmbito das prestações sociais.

A arma de surdina clamar pelo crescimento e emprego, esquecendo que assinou o pacto de agressão, onde inclui a benesse dos 12.000 milhões para a banca. Os trabalhadores pagam os juros da agiotagem financeira. Há cada vez mais trabalhadores desempregados sem proteção social.

Assistimos ao tom de protesto, assente na música de intervenção, esta nutre a força nas palavras cantadas, fico feliz por ver muitos a usarem-na para lembrar à corja que nos desgoverna que vão ter um triste fim. Fico profundamente revoltado quando assisto alguns a balbuciar há “Relvas”, mais ainda na urbe quando procedam na linha dos agressores da “troika”, refiro-me, claro está, aos que têm responsabilidades governativas locais e participação em órgãos do poder local com decisões contrárias aos interesses dos trabalhadores.

Antigos governantes socialistas ao lado do governo PSD/CDS, quando este se queixa de estar a ser perseguido pelo povo e ministros plenipotenciários a queixarem-se de estar a ser posta em causa a sua liberdade de expressão, francamente.

Haja decoro, quando deputados aprovam alterações ao código do trabalho, alterações às prestações sociais, ou outras, mesmo aqueles com a abstenção violenta estão a trilhar um caminho na limitação da liberdade de quem trabalha.

A democracia exerce-se em cada esquina meus amigos, em cada rosto na igualdade, há o princípio que trilha a efetiva antítese do seu pensamento, da sua prática e dos objetivos.

Para estes senhores a democracia resume-se ao direito de voto a exercer de quatro em quatro anos e ao exercício do poder sem o escrutínio permanente dos governados.

Não é inocente que tentem limitar a liberdade de manifestação para garantir a liberdade de circulação dos ministros e secretários de estado. Saúdo todos aqueles que mesmo votando nos partidos da “troika” nacional, hoje estão no mesmo caminho de luta e dão voz contra a exploração excessiva, a desesperança excessiva e a violência social excessiva. Em contraciclo, há gente desde sempre comprometida com o status quo e com receio a protestos que possam ter consequências. Não basta a indignação e necessária a transformação.

O hino cantado por quem não se resigna é um apelo a uma nova revolução, a uma nova madrugada libertadora e eles, que pensavam ter enterrado a memória de Abril, vivem assustados com esta necessidade sentida de pôr fim a estes tempos pardos.

A repressão política existiu no tempo da ditadura fascista, muitos perderam a vida e sacrificaram-se pelo país, nomeadamente muitos dos meus camaradas.

Hoje assistimos à repressão social fruto da ditadura capitalista, assente nos mercados, estes não são algo abstratos, mas reais no edifício capitalista.

Os valores de Abril não podem ficar resumidos à Constituição da República Portuguesa. Estes valores têm rosto, reproduzidos no edifício da construção das funções sociais do Estado, espelhados nos resultados do SNS, na Segurança Social Pública e universal, na Escola Pública, o SEE ao serviço das populações.

Estou farto de ver muitos a usarem cravos na lapela nas comemorações do 25 de Abril, é como se se travestissem de personagens que nunca poderão ser. Mais farto estou de ter ministros ao serviço de outros que não do seu país ou povo.

Cantemos então a “Grândola” em coro afinado, que foi para isso que o Zeca a escreveu, e retiremos consequências desta renovada ânsia de libertação.

Por: Honorato Robalo

* Dirigente da Organização Regional da Guarda do PCP

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