Arquivo

Ainda vamos a tempo

Editorial

1. Há dois anos, muitos dos autarcas que governavam os municípios da região cumpriam o limite de mandatos, que entretanto a lei passara a definir (três mandatos) o que determinou uma renovação em muitos municípios – noutros mudou a cor dos vencedores. Chegaram então ao poder novas lideranças e novos rostos, uma nova geração de dirigentes, ambiciosos e preparados para pugnar pelos interesses dos respetivos concelhos e tentar singrar por entre os muros que se levantam a cada passo da governação.

Promover o desenvolvimento dos concelhos do interior é tarefa hercúlea, e as câmaras municipais são, obviamente e obrigatoriamente, os agentes determinantes no fomento do progresso e da qualificação dos territórios. Enquanto assistimos apavorados ao êxodo rural e à desertificação do interior (as novas narrativas dizem-nos que não podemos falar de interioridade e os iluminados do idiotismo dizem que é errado falar em desertificação… mas desertificação é despovoar e o despovoamento é, infelizmente, o réprobo com que o interior tem de conviver), enquanto as pessoas continuam a partir aos milhares (quantos dos 465 mil novos emigrantes não partiram precisamente do interior?), enquanto continuamos à espera de um plano nacional que desencrave os territórios de baixa densidade e contribua para inverter a linha descendente, o que temos são as autarquias para assegurarem serviços e melhorar a qualidade de vida das pessoas. E, esperemos, para servirem de farol e encontrar caminhos de desenvolvimento que estanquem a fuga de pessoas e mitiguem o abandono, a fuga e a morte das aldeias e vilas.

2. Depois de quase 40 anos de domínio socialista na Câmara da Guarda, em 2013, finalmente, por abandono do mais inepto e incompetente presidente da Câmara desde o 25 de Abril, e pelo emergir de uma candidatura de nova geração, ambiciosa, ousada e bem-preparada, liderada por Álvaro Amaro, na Guarda mudou tudo. Ou quase.

Como é óbvio, a procissão ainda vai no adro, e fazer um balanço com dois anos de mandato é uma insensatez. Porém, considerando a história recente do concelho, facilmente se percebe que o caminho trilhado nestes dois anos alteraram, sobremaneira, as dinâmicas do concelho (ou pelo menos da cidade).

Podemos não apreciar o estilo ou a forma, mas Álvaro Amaro promoveu e valorizou políticas de intervenção que, como o próprio diz, tendem a recuperar o tempo perdido – e o da Guarda há muito que estava perdido.

Sem queremos aqui escalpelizar medidas ou opções, o saneamento financeiro foi um processo decisivo para que tudo o mais possa acontecer (a Câmara da Guarda demorava anos a pagar faturas aos fornecedores). Mas ainda houve disponibilidade para iniciar o cumprimento de algumas “promessas” – e é bom que os políticos não se esqueçam que devem cumprir com o que propõem em campanha, e que só assim se credibiliza a política (ver pág. 6 e 7). Alguns dos “pontos altos” do novo executivo podem não ser consensuais, mas, inequivocamente, contribuíram para um novo élan e um novo rumo que há muito era ansiado. Por entre o ruído dos foguetes e a luz dos holofotes, há uma estratégia que vai para além das festas. Nem tudo é perfeito e, como aqui sempre denunciámos, nem tudo terá resultado das melhores opções, nem o resultado foi sempre o mais conveniente e pretendido, mas iniciou-se um novo ciclo e uma nova esperança para a cidade. «Pode ser pouco, mas é muito mais do que aquilo a que estávamos habituados», como aqui escrevi há um ano, e que agora ratifico: foi feito mais em dois anos do que aquilo que tinha sido feito em muitos dos anos anteriores.

Luis Baptista-Martins

Sobre o autor

Leave a Reply