Sociedade

Porto Seco na Guarda é «tão natural que é inquestionável»

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Escrito por Jornal O INTERIOR

Ministra Ana Abrunhosa acredita que projeto vai ser uma realidade e fará desta zona interior uma «região central» no acesso ao mar e à Europa

A ministra da Coesão Territorial considera que a Guarda é «o sítio certo» para a criação do primeiro Porto Seco de Portugal, pois está na confluência das Linhas da Beira Baixa e da Beira Alta e das autoestradas A25 (Aveiro-Vilar Formoso) e A23 (Guarda-Torres Novas), além da proximidade a Espanha.
O projeto será «uma âncora fundamental» para a cidade a para a região, considerou Ana Abrunhosa na sessão de encerramento da conferência “Portos secos & terminais rodo ferroviários”, realizado no passado dia 4 no Instituto Politécnico da Guarda numa iniciativa do IPG e da Associação dos Transitários de Portugal (APAT). Na sua intervenção, a ministra destacou a «união política» que o empreendimento está a gerar na região e garantiu que também o Governo está empenhado em concretizar uma iniciativa «tão natural, que é politicamente inquestionável», dada a centralidade da Guarda. Na sua opinião, o futuro Porto Seco vai «alargar o acesso à intermodalidade» e contribuir para que esta zona do interior passe «a ser uma região central, próxima do mar, mas também porta de entrada da Europa».
«Poder assistir aos primeiros passos deste processo, que esperamos que dê como resultado o primeiro Porto Seco de Portugal, é um grande orgulho», acrescentou Ana Abrunhosa. Um otimismo partilhado também por António Pinto Ribeiro, antigo diretor da Alfândega de Aveiro, que participou na sessão e alertou, contudo, que o sucesso do projeto depende dos empresários locais. «Vão ter que mostrar trabalho para o potenciar, mas será preciso ir buscar mercadorias a Espanha porque, nesta região, por si só, é capaz de não se conseguir».
O especialista acrescentou a O INTERIOR que o conceito de Porto Seco já existe na Guarda na empresa Olano: «Só não funciona tal como está projetado do ponto de vista jurídico porque falta a rede eletrónica da janela única aduaneira, que vai demorar este ano e o próximo a ser implementada. No entanto, a Olano já pode transferir mercadorias de um depósito temporário, que é um conceito do Código Aduaneiro da União Europeia, para outro depósito temporário utilizando o regime de trânsito, o que facilita os procedimentos e diminui os custos de contexto», exemplificou António Pinto Ribeiro.
João Logrado, diretor-geral da Olano Portugal, confirmou que é «mais fácil expedir e rececionar mercadoria» através de um Porto Seco do que pela via normal. «Mas é necessário ter infraestruturas. A Olano, por exemplo, recebeu no ano passado cerca de 1.200 contentores na Guarda, o que é arrojado numa zona interior», sublinha o responsável. E com o seu próprio Porto Seco, a empresa ganhou «mais facilidade de trabalho administrativo, principalmente para os nossos clientes. Há também uma poupança do custo do transporte porque é mais barato transportar carga num camião do que num contentor», exemplificou.
No entanto, João Logrado admitiu preferir que o projeto fosse desenvolvido na plataforma logística da Guarda, «onde já estão empresas exportadoras, operadores de logística e outras empresas que teriam muito mais a ganhar», justifica. Recorde-se que o IPG vai lecionar um curso de pós-graduação em Logística, criado em parceria com a APAT e com empresas especializadas no setor, como a Olano, Coficab, Fly MP, Transportes Bernardo Marques, Casa da Prisca, Sodecia, Dura, José Limão e ACI.

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