Sociedade

Ministro despediu-se da pasta da Saúde na Guarda

Escrito por Luís Martins

A visita de Adalberto Campos Fernandes à Guarda era aguardada com muita expetativa, mas foi um ministro da Saúde com destino traçado no Governo de António Costa que esteve na Unidade Local de Saúde (ULS) na sexta-feira. Foi por isso uma visita de circunstância, sem novidades ou compromissos e muito menos garantias de mais investimentos no Hospital Sousa Martins.

Pelo contrário, Adalberto Campos Fernandes deixou vários recados ao conselho de administração presidido por Isabel Coelho, dizendo nomeadamente que «tem que fazer pela vida» num contexto regional cada vez mais competitivo em termos de distribuição de serviços e de especialidades. Para o ministro, a solução nesta região para melhorar a prestação de cuidados de saúde às pessoas é trabalhar em rede com os Centros Hospitalares da Cova da Beira (CHCB) e de Tondela-Viseu. «A rivalidade pela disputa de serviços não é boa para a racionalidade dos meios», alertou o governante, para quem é tempo destas unidades começarem a pensar «num plano de partilha de recursos e de respostas» porque «é inadmissível estarem de costas viradas». Uma afirmação feita após o presidente da Câmara da Guarda ter surpreendido tudo e todos com a sugestão da criação do Centro Hospitalar Guarda-Covilhã à semelhança da unidade de Tondela-Viseu.
Álvaro Amaro falava a propósito do reconhecimento do estatuto de Centro Hospitalar Universitário ao CHCB, uma medida que disse ser «positiva», mas que peca por ter «excluído o Hospital da Guarda, que é um parceiro muito ativo na Faculdade de Ciências da Saúde da UBI», lembrou. Com o discurso que fez na inauguração do novo pavilhão do Sousa Martins, em junho de 2014 na mão, o autarca lembrou que desde então tem vindo a reclamar esse estatuto para a Guarda, pelo que ficou «muito triste» com a publicação, em agosto, do decreto-lei que atribui estatuto universitário ao CHCB. «Não vejo problema nenhum que o Centro Hospitalar Universitário tenha sede na Covilhã desde que seja criado um polo na Guarda», reivindicou Álvaro Amaro. Na resposta, o ministro garantiu que com este decreto-lei o Governo «não tem a mínima intenção de desgraduar» o Hospital da Guarda, «o que seria um absurdo», justificou Adalberto Campos Fernandes.
«O Hospital da Guarda já é universitário e, neste momento, participa ativamente nos programas de formação pré e pós-graduada no contexto do Centro Académico Clínico das Beiras» e «não faz nenhum sentido que a Guarda seja menorizada em nenhum aspeto», sublinhou.
E o ainda ministro também não desconsiderou a proposta de rebatizar o Centro Hospitalar: «Por que não Covilhã-Guarda, desde que haja vontade política e das pessoas na região e o impulso da ARS. É uma junção que fará todo o sentido, até do ponto de vista económico», considerou o governante, desafiando ainda os responsáveis locais da saúde a «estimular» a cooperação transfronteiriça. «Não há nenhuma limitação, o que queremos é que a Guarda progrida», afirmou. Quanto à requalificação do Pavilhão 5 do Sousa Martins, Adalberto Campos Fernandes não trouxe novidades. Disse apenas que é preciso acabar o plano da intervenção para que o projeto de instalação da pediatria e dos serviços materno-infantis avance, num trabalho que está a ser supervisionado pela ARS Centro. «Espero voltar no Verão para acertar contas com o deve e o haver», terminou, uma promessa que o ministro já não vai cumprir. Esse balanço caberá agora a Marta Temido, a nova ministra da Saúde.

«Espírito de sacrifício tem limites», avisa Isabel Coelho

Na sua intervenção, Isabel Coelho lembrou que a ULS guardense apresentou uma proposta para a criação de um Centro de Resposta Integrada na Guarda e elogiou o corpo clínico e de enfermagem. «Quem trabalha na ULS é um bom exemplo de resiliência», considerou, mas para logo acrescentar que «esta dedicação tem limites no espírito de sacrifício». Nesse sentido, a presidente do Conselho de Administração apelou ao governante para que «as condições, em termos de espaços, equipamentos e recursos humanos, sejam incrementadas para que o nosso desempenho continue a crescer». Na Guarda, o ministro da Saúde disse não «fazer sentido» pronunciar-se sobre as recentes demissões de três coordenadores de áreas de gestão integrada dos blocos operatórios e da área cirúrgica. «Essas são questões da intendência administrativa local», disse Adalberto Campos Fernandes, acrescentando que desconhecia as razões destas demissões. «O que me foi dito é que são questões relevantes do ponto de vista interno, mas é para as resolver que há um Conselho de Administração», adiantou o governante.
Nesta deslocação o ex-titular da pasta da Saúde assistiu à apresentação de novas técnicas de Taracoscopia e CrioBiópsia desenvolvidas na Pneumologia do Sousa Martins, que considerou um «serviço de excelência» e «uma referência» na Beira Interior. Adalberto Campos Fernandes procedeu ainda à entrega de quatro viaturas para cuidados domiciliários à USF Ribeirinha (Guarda) e às unidades de cuidados de saúde primários de Almeida, Celorico da Beira e Figueira de Castelo Rodrigo. E recebeu de Honorato Robalo, delegado do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, um documento reivindicativo para o setor da enfermagem da Guarda.

Sobre o autor

Luís Martins

Deixar uma resposta