Sociedade

IPG quer “deslocalizar” formações profissionais

Escrito por Sofia Craveiro

Objetivo é lecionar cursos técnicos superiores profissionais nos municípios onde existir maior procura

O Instituto Politécnico da Guarda (IPG) pretende estabelecer protocolos com municípios da região e “deslocalizar” Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP). O objetivo é responder «às exigências» do mercado e suprimir a questão da carência de alojamento na Guarda, de acordo com Joaquim Brigas. O presidente do IPG adianta que os cursos iriam assim ao encontro dos estudantes, evitando que se desloquem para a Guarda, o que resultaria em poupanças significativas para as famílias da região.

«Há concelhos com uma rede elevada de instituições ligadas à terceira idade, IPSS, Misericórdias, e solicitam-nos formação a nível, por exemplo, da gerontologia. Havendo um número suficiente de estudantes para preencher uma turma, o Politécnico irá deslocalizar essa formação em função da procura», refere o responsável. Este fator será auscultado em cooperação com as autarquias e respetivos agrupamentos de escolas, que também terão um papel a desempenhar na reunião de condições para o funcionamento dos cursos. Joaquim Brigas revela que há concelhos onde já está a ser feito «o levantamento do número de interessados» junto de alunos do secundário ou finalistas de cursos profissionais de nível 4, de forma a perceber também quais as áreas de estudo mais procuradas. Na lista incluem-se os concelhos do Sabugal, Figueira de Castelo Rodrigo e Fornos de Algodres, sendo que é neste último que «o processo está mais avançado». Aqui «já está definido o espaço [para lecionar], os protocolos com as instituições para receber os estagiários também já estão efetuados, portanto estão a ser ultimadas as burocracias necessárias», para dar início às formações, que ainda não possuem data definida para começar, declara o presidente do IPG.

Esta ação de descentralização tem ainda como objetivo atrair alunos internacionais para os concelhos que demonstrem interesse no projeto. «Estamos a fazer um outro trabalho neste sentido que tem a ver com as visitas e as ligações que temos com alguns países PALOP [Países de Língua Oficial Portuguesa]», de forma a promover novas ligações entre concelhos do distrito e «outras cidades, nos países de onde vêm os estudantes internacionais», acrescenta. Para Joaquim Brigas, a iniciativa irá contribuir «para o desenvolvimento do território no seu todo, sendo certo que os cursos aumentam naturalmente o número de alunos do Politécnico da Guarda», o que poderá criar condições para aumentar a contratação de novos docentes. «Neste último ano e meio foram assinados mais de 50 contratos de trabalho com docentes», um número que o responsável acredita poder vir a aumentar com a deslocalização.

Joaquim Brigas quer «diversificar geografias» no IPG

O presidente do IPG quer ter mais nacionalidades a estudar na Guarda. Em declarações a O INTERIOR, Joaquim Brigas diz que pretende «diversificar ainda a mais a geografia dos estudantes internacionais», que são já uma parte significativa dos alunos do Politécnico.

Conforme noticiado por O INTERIOR (ver edição de 17 de junho), o Instituto guardense foi a terceira instituição a nível nacional a receber mais alunos internacionais no ano letivo 2019/2020. Foram 336 novos alunos, o que representa 32 por cento do total de estudantes a ingressar na instituição. A origem destes estudantes é maioritariamente dos PALOP, em especial de São Tomé, Cabo Verde e Guiné (por esta ordem). Em relação a outros países de língua portuguesa o número é ainda «reduzido perante aquilo que desejávamos», assume Joaquim Brigas, destacando os alunos brasileiros como parte do objetivo. O presidente do IPG considera ainda a possibilidade de desenvolver um método de “blended learning” com os países com os quais o IPG possui protocolos. Isto significa que, em países como São Tomé – onde há autarquia já geminadas com o Politécnico – poderia haver um misto de aulas presenciais e online, sendo que «algumas dessas aulas presenciais seriam dadas nos países de origem» dos alunos internacionais, e outras (em particular as aulas laboratoriais) seriam dadas no IPG.

Novo curso de inspeção de automóveis tem «emprego garantido»

O Politécnico da Guarda viu aprovada este ano a criação de cinco novos CteSP: Treino Desportivo, Riscos e Proteção Civil, Metalomecânica e Fabrico Computorizado, Construção Civil e Obras Públicas e Manutenção e Reparação Automóvel. Estes cursos, que estão abertos a alunos que tenham concluído o secundário ou possuam já uma licenciatura, têm foco na formação prática e pretendem «responder a necessidades do mercado de trabalho», justifica Joaquim Brigas.

O presidente do IPG recorda que, além destas formações, o Politécnico viu ainda aprovado um CteSP para formar inspetores de centros de inspeção periódica obrigatória. Esta formação irá funcionar num «laboratório» semelhante a um centro de inspeção automóvel real, que foi instalado no IPG com o patrocínio do grupo TAVFER. Segundo Joaquim Brigas, este é um curso «com emprego garantido», que apenas aguarda a aprovação do Instituto da Mobilidade e Transportes (IMT) para arrancar.

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