Coronavírus Sociedade

Coronavírus tem de ser travado com «métodos da guerra biológica»

Escrito por Luís Martins

O cientista Fernando Carvalho Rodrigues considera que para travar a epidemia do Covid-19, o novo coronavírus, em Portugal é preciso usar os métodos da «guerra biológica» e dá o exemplo de contenção conseguido na China e na Rússia, referindo também as medidas tomadas pelos Estados Unidos.

«O vírus é um inimigo e tem de ser tratado como tal. É mortal, é preciso encarar as coisas com muito realismo. É um vírus sobre o qual não temos por enquanto capacidade nenhuma de atuação, pelo que temos que ganhar tempo e para isso temos que serenamente enfrentar esta guerra», afirma. Em declarações a O INTERIOR, Carvalho Rodrigues avisa que este vírus é «altamente assimétrico, não sabemos como aniquilá-lo, ele sabe como matar-nos e em doses cada vez maiores, sabe-se propagar a grande velocidade». Por isso, diz-se «preocupado» por ver «chegar à Guarda comboios, camiões e autocarros que não são desinfetados com lixívia ou os seus passageiros e motoristas monitorizados».

«Em Espanha, o Covid-19 vai ser uma hecatombe e a nossa região está na linha da frente porque temos uma fronteira onde entra tudo. E o facto de continuar tudo na mesma preocupa-me porque devia-se fazer monitorização e desinfetar os comboios e os camiões», refere o cientista. Recusando ser «alarmista», mas dizendo que está apenas a ser «realista», Carvalho Rodrigues apela aos portugueses que fiquem «em casa», tenham «o menos contacto possível» com outras pessoas, mantenham um «alto nível» de higiene e tenham «uma grande compreensão».

«Este vírus é mortal e esta luta não pode ser só entregue aos fabulosos médicos e enfermeiros que estão nos hospitais, é preciso atuar muito antes. Eles estão na nossa barbacã, são o último bastião, quem defende a integridade última, mas até chegar lá há milhões de coisas que têm que estar mobilizadas», defende Carvalho Rodrigues. «Nós em Portugal temos a condição mais fantástica do planeta: somos extraordinariamente determinados, solidários uns com os outros, só que de vez em quando não nos guiam no sentido de trazer estas qualidades ao de cima. Podemos não ter esses recursos dos americanos, mas sabemos os métodos e sabemos outra coisa, que não há solidariedade maior que a dos portugueses uns para os outros. É isso que tem que ser explorado», apela o físico natural e residente em Casal de Cinza, no concelho da Guarda.

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