Sociedade

Comissão Covid-19 do Hospital da Guarda bate com a porta

Escrito por Jornal O Interior

Coordenador demitiu-se em divergência com a administração da ULS por a Comissão não ter sido consultada acerca da retoma das consultas e cirurgias programadas. Luís Ferreira é um dos nomes apontados para suceder a Isabel Coelho no CA

Duas semanas depois da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos ter vindo à Guarda elogiar o «excelente trabalho» dos profissionais da Unidade Local de Saúde (ULS) à pandemia, a Comissão Covid demitiu-se em bloco na segunda-feira em «divergência» com o Conselho de Administração presidido por Isabel Coelho.
Na origem da demissão está o facto de administração hospitalar ter decidido retomar a atividade das consultas e cirurgias programadas, que tinham sido adiadas para dar prioridade ao tratamento dos doentes com Covid-19, sem consultar a referida comissão sobre, nomeadamente, a existência ou não das condições de segurança necessárias para esse regresso da atividade normal no Hospital Sousa Martins. Sentindo-se desautorizado Luís Ferreira, diretor da Pneumologia e coordenador da equipa multidisciplinar para a Covid-19, demitiu-se do cargo alegando ter ocorrido «uma situação de divergência» com um elemento da administração da ULS da Guarda, que não quis especificar. «Achei que foi clara uma desconsideração para comigo, na qualidade de presidente da comissão, e não podia ser conivente com essa situação, pelo que tomei a decisão que achei mais adequada, que foi pedir a demissão», acrescentou o pneumologista.
A decisão foi comunicada aos restantes elementos da Comissão, em funções desde março, que também bateram com a porta em solidariedade com Luís Ferreira. São eles Adelaide Campos, diretora do Serviço de Urgência; Alcina Tavares, coordenadora do Programa de Prevenção e Controlo de Infeção e de Resistências aos Antimicrobianos; Ana Isabel Viseu, coordenadora da Unidade de Saúde Pública; Catarina Quinaz, infeciologista; João Correia, diretor do Serviço de Medicina Interna; José Valbom, da Unidade de Saúde Ocupacional; Luísa Lopes, diretora da Unidade de Cuidados Intensivos; e os enfermeiros Júlio Salvador e Vítor Salomé. Cabe agora ao CA nomear uma nova Comissão Covid-19. Confrontada por O INTERIOR, Isabel Coelho respondeu numa nota para referir que a demissão desta Comissão «partiu inicialmente do senhor coordenador, tendo os restantes membros sido solidários com este pedido».
«Quanto ao ou aos motivos deste pedido ao próprio dizem respeito, pelo que qualquer explicação lhe deve ser solicitada», acrescenta a presidente do CA, segundo a qual a administração da ULS «nunca retirou a sua confiança a esta comissão ou a qualquer um dos seus membros em particular, antes pelo contrário, não se cansa de enaltecer e agradecer o seu trabalho exemplar ao longo destes difíceis meses». A Comissão Covid-19 foi criada numa altura em que o Hospital Sousa Martins (HSM) foi indicado como hospital de “segunda linha” no combate à pandemia atendendo às condições adequadas de instalações, equipamentos existentes no denominado Pavilhão Novo, à capacitação do seu Laboratório de Patologia Clínica e ao reconhecimento da competência técnica e profissionalismo dos seus recursos humanos, justificou na altura a ULS.
O caso pode ter precipitado a substituição do atual CA da ULS, cuja comissão de serviço terminou no passado 31 de dezembro de 2019 e aguarda desde então a decisão da tutela. Esta terça-feira a ministra da Saúde, Marta Temido, confirmou que a administração está de saída. Carlos Filipe Camelo, atual presidente da Câmara de Seia, ou mesmo o médico Luís Ferreira são os nomes em cima da mesa para substituir Isabel Coelho na presidência do CA. A decisão poderá ser tomada na reunião do Conselho de Ministros desta quinta-feira.

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