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Oito detidos e 400 arguidos por esquema fraudulento de revalidação de cartas de condução

Escrito por Carina Fernandes

Levada a cabo pela Polícia Judiciária da Guarda, operação “Consulta Zero” permitiu identificar «mais de 8.500 situações suspeitas» de falsos atestados médicos na Covilhã, Fundão, Castelo Branco e Idanha

A Polícia Judiciária (PJ) deteve oito suspeitos de associação criminosa, corrupção, falsificação de documentos, evasão fiscal e branqueamento de capitais, no âmbito de processos fraudulentos de revalidação de cartas de condução nos concelhos da Covilhã, Fundão, Castelo Branco e Idanha-a-Nova.

Segundo o Departamento de Investigação Criminal da Guarda, além dos oito detidos, sete homens e uma mulher, com idades compreendidas entre os 42 e 74 anos, foram identificadas e constituídas arguidas cerca de 400 pessoas. Todos são suspeitos de recorrerem «a falsos atestados médicos e/ou certificados de aptidão física e mental, sem prévia consulta de avaliação pessoal, suspeitando-se que terão beneficiado aproximadamente oito mil indivíduos», adianta a PJ. A operação batizada com o nome de “Consulta Zero” incluiu três dezenas de buscas, domiciliárias e outras, e permitiu identificar «milhares de condutores, três escolas de condução, quatro estabelecimentos comerciais, que também prestam diversos serviços especializados, designadamente como intermediários junto do Instituto de Mobilidade e Transportes (IMT), e, pelo menos, dois médicos, com aqueles conluiados», todos maioritariamente residentes e sediados nos concelhos do Fundão, Covilhã, Castelo Branco e Idanha-a-Nova.

A um dos médicos detidos e residente na zona da Covilhã é imputada a autoria de cinco mil atestados, que foram vendidos a 30 euros cada. O coordenador da PJ da Guarda, José Monteiro, acrescentou aos jornalistas que um número «absolutamente vasto» de cidadãos que renovavam as suas cartas de condução desde 2016 naqueles municípios «o estavam a fazer sem a consulta prévia», tendo-lhes bastado recorrer a alguns agentes e empresários. «Um homem com 90 anos, que está com um manifesto processo de uma doença degenerativa, conseguiu, sem qualquer contacto médico, ver a sua carta renovada», exemplificou, revelando que a investigação permitiu identificar «mais de 8.500 situações suspeitas». A operação envolveu, aproximadamente, 50 operacionais da Judiciária, incluindo vários peritos das Unidades Nacionais de Perícia Financeira e Contabilística, de Tecnologia Informática e do Laboratório de Polícia Científica.

Entretanto, a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) pediu informações sobre o envolvimento de clínicos nesta investigação e irá remeter o processo para o Conselho Disciplinar. Os oito detidos foram presentes a tribunal.45

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